Em um duelo eletrizante pela semifinal da CONMEBOL Libertadores 2025, o Clube de Regatas do Flamengo demonstrou uma maturidade tática exemplar ao garantir sua vaga na final com um empate sem gols contra o Racing, no Estádio Presidente Perón, conhecido como Cilindro de Avellaneda. Mesmo atuando com um jogador a menos por quase 40 minutos, a equipe rubro-negra soube controlar as adversidades e segurar o resultado que o credencia para disputar o título continental pela quarta vez nos últimos sete anos. A torcida argentina preparou um espetáculo pirotécnico antes da bola rolar, criando uma atmosfera de pressão que se estendeu para o campo, mas o time brasileiro respondeu com resiliência e organização.
O Clima de Pressão e a Estratégia Rubro-Negra
A atmosfera em Avellaneda era palpável, com a apaixonada torcida do Racing buscando influenciar o resultado desde os primeiros momentos. Os jogadores argentinos, impulsionados pelo fervor de suas arquibancadas, iniciaram a partida com uma marcação alta e agressiva, com o intuito de dificultar a saída de bola do Flamengo. No entanto, o time comandado por Filipe Luís demonstrou notável serenidade e preparo para lidar com essa pressão. Longe de se abalar, o Mengão conseguiu impor seu ritmo em boa parte do primeiro tempo, apresentando um futebol envolvente e criando oportunidades de gol.
A movimentação ofensiva do Flamengo foi notável, com jogadores como Carrascal, Varela, Arrascaeta e Luiz Araújo (por duas vezes) levando perigo à meta adversária. A estratégia de Felipe Luís envolveu uma formação móvel no ataque, com a variação posicional de nomes como o equatoriano Sornoza, que atuou mais centralizado e pelas pontas, explorando os espaços deixados pela defesa argentina. A posse de bola foi bem administrada, e a equipe conseguiu construir jogadas que poderiam ter resultado em vantagem no placar. A dificuldade em manter a bola no ataque surgiu nos minutos finais da primeira etapa, quando a pressão do Racing aumentou. Nesses momentos, a opção pela bola longa e a inteligência de volantes como Pulgar e Jorginho em recuperar as sobras foram cruciais para manter o controle e a organização da equipe.
Defesa Sólida e Liderança em Campo
A solidez defensiva foi um dos pilares da atuação flamenguista. O trio de zaga composto por Alex Sandro, Léo Ortiz e Léo Pereira teve uma noite inspirada. Léo Ortiz, que havia lidado com um estiramento no tornozelo, mostrou grande fibra ao se manter firme em campo, mesmo sentindo o local nos primeiros minutos. Já Léo Pereira se destacou pela imposição física e pela capacidade de interceptar as bolas aéreas, jogada característica do Racing. A preparação da equipe para as bolas longas e os cruzamentos, que são armas do adversário, foi evidente, e os defensores rubro-negros cumpriram com maestria suas funções.
O goleiro Rossi também teve papel fundamental, não apenas com defesas importantes, como a que impediu o gol de Conechny aos 11 minutos do primeiro tempo, mas também na inteligência para gerenciar o ritmo do jogo nos momentos de maior pressão. Sua calma e experiência foram essenciais para acalmar a equipe e controlar a posse de bola quando necessário. A atuação da dupla de zaga, aliada à segurança de Rossi, demonstrou a força defensiva do Flamengo em um ambiente hostil.
A Reviravolta com a Expulsão e a Gestão de Crise
O segundo tempo trouxe um novo cenário para a partida. A maturidade coletiva exibida pelo Flamengo no primeiro tempo foi testada pela imaturidade individual de Sornoza, que foi expulso aos 10 minutos da etapa complementar. Apesar de o cartão vermelho ser considerado exagerado por alguns, a ação do atacante em revidar e atingir um adversário sem a posse de bola comprometeu a estratégia da equipe. Com um jogador a menos, Filipe Luís precisou ajustar a equipe, abrindo mão da criatividade de Arrascaeta e Carrascal, e promovendo as entradas de Danilo, Ayrton Lucas e Gerson, reforçando a linha defensiva.
A estratégia passou a ser a de povoar o campo de defesa, formando uma linha de cinco jogadores para conter a pressão crescente do Racing. Bruno Henrique foi acionado para agregar força na disputa aérea defensiva e dar uma opção no ataque. O Racing, ciente da vantagem numérica, passou a pressionar com mais intensidade, explorando a bola aérea e lançando quase 40 bolas na área rubro-negra. Nesse cenário de “jogo de sobrevivência”, o Flamengo demonstrou uma resiliência notável. Rossi realizou mais três defesas importantes, Léo Pereira desarmou inúmeras vezes, e a equipe soube “parar o jogo” em momentos oportunos, utilizando a característica argentina de esfriar o ímpeto do adversário. A postura aguerrida e a capacidade de sofrer foram recompensadas com a classificação.
A Capacidade de Superação e o DNA Libertadores
Apesar das grandes atuações de Rossi e Léo Pereira, que podem dar a impressão de que o Racing dominou a partida, a realidade é que o time argentino, embora tenha sido superior no tempo em que esteve com um jogador a mais, não demonstrou a qualidade necessária para capitalizar essa vantagem. A equipe carioca soube suportar a pressão, esbarrando nas limitações do adversário e mantendo um jogo seguro e organizado. A inteligência tática de Filipe Luís em fazer as substituições pensando em povoar a defesa e conter os cruzamentos foi elogiada pelo treinador após a partida.
“Hoje, foi uma vitória de um time com alma, competitivo e aguerrido, que sabe jogar em qualquer circunstância, contra qualquer adversário, que sabe jogar a Libertadores. Os jogadores que são multicampeões são os mais ambiciosos, e o meu time está cheio”, declarou Filipe Luís, destacando a mentalidade vencedora de seu elenco. Esse desempenho reflete o DNA de um time que busca sua quarta final de Libertadores desde 2019, período em que já conquistou dois títulos (2019 e 2022) e foi vice-campeão em outra ocasião (2021). O adversário na grande decisão será conhecido após o confronto entre Palmeiras e LDU.

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