Luis Zubeldía, um nome que ressoa com intensidade no futebol sul-americano, tem se firmado como uma figura de destaque no cenário brasileiro. Com uma trajetória marcada por conquistas notáveis e um estilo enérgico à beira do campo, o treinador argentino assumiu o comando do Fluminense em setembro de 2025, com um contrato que se estende até o final de 2026. Sua chegada ao Tricolor carioca representa não apenas uma aposta em um profissional com visão tática apurada, mas também um retorno à tradição de técnicos estrangeiros no clube, algo que não se via desde 1997, com a presença do uruguaio Hugo de León.
A ascensão precoce de Zubeldía: do campo à área técnica
A paixão de Luis Zubeldía pelo futebol se manifestou desde cedo. Nascido em 1980, o argentino era uma promessa nas categorias de base, chegando a representar seu país em competições internacionais como a Copa do Mundo Sub-17, em 1997 e 1999. Sua visão de jogo e a qualidade como meio-campista o credenciavam a uma carreira promissora como jogador. No entanto, o destino reservou um revés inesperado. Uma grave lesão no joelho, ainda aos 23 anos, forçou uma aposentadoria precoce, interrompendo abruptamente o sonho de brilhar nos gramados.
Mas a paixão de Zubeldía pelo esporte era maior do que qualquer obstáculo. Sem se dar por vencido, ele migrou para a área técnica, onde sua inteligência tática e sua capacidade de leitura de jogo poderiam florescer. Aos 27 anos, em 2008, ele assumiu o comando do Lanús, clube onde se formou como jogador. Essa oportunidade não apenas marcou seu início na carreira de treinador, mas também o consagrou como o técnico mais jovem a dirigir uma equipe na elite do futebol argentino. Sua precocidade gerou admiração e curiosidade, pois um ex-atleta recém-aposentado se via liderando profissionais mais experientes e com trajetórias consolidadas.
Da América à Europa: a jornada de aprendizado de Zubeldía
Após a experiência inicial no Lanús, Luis Zubeldía embarcou em uma jornada de aprendizado pelo futebol internacional. Sua carreira o levou a diversos países, onde teve a oportunidade de adaptar seu estilo e absorver diferentes culturas táticas. Passou por clubes na Colômbia, México, Paraguai e Espanha, acumulando um vasto repertório de conhecimentos e experiências que moldariam sua identidade como treinador.
A consagração definitiva veio no Equador, com a LDU de Quito. Zubeldía teve duas passagens marcantes pelo clube. A primeira, entre 2013 e 2015, já demonstrava seu potencial. No entanto, foi em seu retorno, em 2022, que ele cravou seu nome na história da equipe. Sob seu comando, a LDU conquistou a Copa Sul-Americana de 2023, em uma campanha memorável que culminou com a vitória sobre o Fortaleza nos pênaltis. Além do título continental, a equipe equatoriana também se sagrou campeã do Campeonato Equatoriano. Com um impressionante aproveitamento de 66,7% no comando da LDU, Zubeldía consolidou sua reputação como um treinador eficiente e vencedor, atraindo o interesse de clubes brasileiros.
O desafio em São Paulo e a decisão de pedir demissão
O São Paulo foi o primeiro clube brasileiro a depositar sua confiança em Luis Zubeldía. O treinador argentino desembarcou no Morumbi em abril de 2024 e, de imediato, demonstrou um impacto positivo. A equipe paulista alcançou uma sequência de vitórias expressivas na Copa Libertadores, registrando um feito histórico para o clube na competição. Em 82 partidas à frente do Tricolor paulista, Zubeldía acumulou 37 vitórias, 24 empates e 21 derrotas, traduzindo em um aproveitamento de 54,8%.
Apesar dos números expressivos, sua passagem pelo São Paulo não foi isenta de turbulências. Questões de relacionamento interno, atritos com a diretoria e um temperamento considerado explosivo foram apontados como fatores que geraram instabilidade. Críticas da torcida em relação ao pouco aproveitamento de jogadores oriundos das categorias de base também surgiram, com o renomado comentarista Walter Casagrande chegando a questionar o técnico: “O Zubeldía precisa começar a apostar mais nas categorias de base, pois, em algum momento, vai depender disso”. A série de derrotas consecutivas no Brasileirão Betano de 2025, somada à crescente pressão da arquibancada, selou sua saída. Em junho, após um período de resultados insatisfatórios, Zubeldía optou por pedir demissão.
O início promissor no Fluminense e a busca pela consistência
Após um período de algumas meses sem clube, o Fluminense anunciou a contratação de Luis Zubeldía em 25 de setembro de 2025. O acordo, válido até o final de 2026, tinha como objetivo principal recolocar o time nas trilhas das vitórias e manter o projeto competitivo em todas as frentes. A missão era clara: superar a saída de Renato Gaúcho e dar continuidade a um trabalho de sucesso.
Logo em sua estreia, Zubeldía mostrou a força de seu trabalho. Uma vitória categórica por 2 a 0 sobre o Botafogo, no Maracanã, encerrou um tabu de três anos sem que o Tricolor carioca vencesse seu arquirrival. A intensidade demonstrada pela equipe e o comprometimento coletivo foram os pontos altos. O Fluminense se encontra em um momento crucial da temporada, disputando as semifinais da Copa do Brasil e lutando por uma vaga direta na próxima edição da Copa Libertadores. Em um curto período, Zubeldía comandou a equipe em oito jogos, com um saldo positivo de cinco vitórias, um empate e duas derrotas, evidenciando uma evolução constante e uma consolidação de seu trabalho. O técnico tem demonstrado consistência e confiança em sua filosofia de jogo.
A marca de Zubeldía: intensidade, organização e temperamento
As equipes comandadas por Luis Zubeldía são amplamente reconhecidas por sua solidez defensiva e por uma entrega coletiva impressionante. O treinador argentino tem o costume de formar times aguerridos, que jogam com alta intensidade pelos lados do campo e exploram a velocidade nas transições ofensivas. No Fluminense, essa filosofia tem sido aplicada com notável sucesso. O time se mostra mais equilibrado, com uma pressão alta quando está em posse de bola e uma recomposição defensiva rápida. A estratégia visa induzir o adversário a cometer erros e, a partir daí, explorar os espaços deixados.
Por outro lado, o temperamento forte de Zubeldía também tem sido um elemento de destaque. Sua exaltação à beira do campo, com críticas a decisões de arbitragem e discussões acaloradas com o quarto árbitro, já lhe renderam diversas advertências e cartões. Esse comportamento, embora demonstrativo de sua paixão pelo jogo, também pode gerar momentos de tensão. O desafio, para o Fluminense, é encontrar um equilíbrio entre a intensidade do técnico e a necessidade de manter a calma em momentos cruciais.
O sonho da Libertadores e a visão de longo prazo de Zubeldía
Atualmente, o Fluminense ocupa a 6ª posição no Brasileirão Betano, mantendo vivas as esperanças de garantir uma vaga direta na Copa Libertadores de 2026. Em uma coletiva de imprensa após a vitória sobre o Ceará em um jogo atrasado da 12ª rodada, o técnico Luis Zubeldía reforçou seu compromisso em levar o clube ao torneio continental: “É um lindo desafio que temos para frente para sermos uma equipe que aproveita mais as situações que tem”, declarou o treinador. Zubeldía também defende a necessidade de uma maior estabilidade para os treinadores no futebol brasileiro, argumentando que a cobrança exclusiva por resultados imediatos, em detrimento do desempenho, dificulta a construção de projetos duradouros.
O futuro de Zubeldía: entre a busca por títulos e a consolidação
Com contrato assinado até 31 de dezembro de 2026, o legado de Luis Zubeldía no Fluminense será avaliado não apenas pelos títulos que puder conquistar, mas também pela capacidade de manter a consistência e superar a fama de treinador de passagens curtas. Sua trajetória inclui a conquista da Copa Sul-Americana, e agora ele tem a oportunidade de erguer a taça da Copa do Brasil. O futuro do argentino no Tricolor carioca está intrinsecamente ligado à sua habilidade de manter a equipe no topo e de construir uma relação de estabilidade.
Zubeldía chega a um clube que busca renovação e um projeto a longo prazo. Ele representa uma aposta em continuidade e método, elementos cruciais para a formação de equipes campeãs. A conquista da Copa do Brasil, ainda em disputa, pode ser o primeiro passo para solidificar seu nome na história do Fluminense. Caso a equipe também apresente uma campanha sólida no Campeonato Brasileiro, Zubeldía terá o mérito de recolocar o Fluminense em posição de protagonismo no cenário continental. A questão que paira na mente do torcedor tricolor é se Zubeldía conseguirá manter a solidez defensiva de suas equipes e a serenidade necessária para conduzir o Fluminense ao título da Copa do Brasil, ou se seu histórico de atritos e passagens mais curtas se repetirá.

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