Um dos protagonistas da noite mágica do Palmeiras na última quinta-feira, que selou a classificação para a final da Conmebol Libertadores, Raphael Veiga revelou em entrevista exclusiva que a confiança em sua atuação, incluindo os gols decisivos, foi construída ainda no banco de reservas. O meia detalhou o processo mental pelo qual passou, a superação de dificuldades físicas e a sua relação de profunda admiração com o clube e seus torcedores.
A Força da Mentalização e a Superação de Dores
Raphael Veiga, peça fundamental no elenco palmeirense, compartilhou um detalhe impressionante sobre sua preparação mental para o jogo crucial contra a LDU. Enquanto aguardava sua entrada em campo, o camisa 23 do Verdão narrou a si mesmo a expectativa de marcar o quarto gol, aquele que selaria a vaga na final da Libertadores. “Eu ficava repetindo para mim o tempo inteiro que eu ia fazer o quarto gol”, confessou Veiga, evidenciando a força de sua autoconfiança e crença no trabalho realizado. Essa prática, que pode parecer peculiar para quem não o conhece, é uma ferramenta que o meia utiliza para se conectar com seus objetivos, demonstrando uma resiliência notável.
O “renascimento” de Veiga na partida em questão ocorre em um período em que o jogador tem enfrentado desafios. Ele admitiu que a temporada de 2025 foi marcada por dificuldades em reencontrar seu melhor futebol, agravada por uma lesão no púbis que limitou seus treinos e, consequentemente, seu desempenho. A dor física foi um obstáculo significativo, gerando frustração e irritabilidade. No entanto, Veiga demonstrou uma determinação inabalável em não parar, mesmo antes de competições importantes como o Mundial de Clubes. A decisão de tratar a lesão, mesmo que isso significasse ficar afastado temporariamente, foi crucial para que ele pudesse retornar com a confiança renovada e longe das dores que tanto o incomodavam. Essa fase de superação física, aliada à sua força mental, o preparou para momentos como o da última quinta-feira.
Da Dificuldade à Conquista: A Trajetória de Ídolo
A relação de Raphael Veiga com o Palmeiras é uma história de amor e superação. Comprado em 2017 após se destacar no Coritiba, o meia teve um início desafiador no clube, com dificuldades de adaptação e um empréstimo ao Athletico-PR em 2018. Apenas com a chegada do técnico Abel Ferreira, em 2020, Veiga encontrou a sua melhor versão, tornando-se titular absoluto e peça chave no esquema tático da equipe. Seus números impressionantes – 373 jogos, 109 gols e 56 assistências – consolidam sua importância histórica no clube, especialmente por ser o maior artilheiro em finais. Apesar do reconhecimento, Veiga ainda não se enxerga como um ídolo, atribuindo essa percepção a uma constante busca por aprimoramento e ao fato de sua família e amigos viverem a idolatria de forma mais intensa.
O meia expressou a alegria de ter realizado o sonho de jogar pelo clube do coração e de estar prestes a atingir a marca de 400 jogos. Essa conexão profunda com o Palmeiras é um dos pilares de sua motivação. Ele ressalta que a força do time atual reside na qualidade técnica dos jogadores, muitos deles jovens, que possuem um grande potencial de crescimento. Jogos como o da última quinta-feira são essenciais para a construção da identidade e da maturidade do elenco, algo que Veiga acredita ser fundamental para que o Palmeiras continue a protagonizar feitos grandiosos.
Mentalidade Vencedora: Lidando com a Pressão e a Responsabilidade
A mentalidade de Raphael Veiga diante da pressão foi posta à prova em diversas ocasiões, e ele tem respondido com maturidade e resiliência. A perda de um pênalti decisivo na final do Campeonato Paulista contra o Corinthians, por exemplo, não o abalou em sua essência. Veiga reconhece que errar faz parte do esporte, mas o incidente o impulsionou a fortalecer ainda mais sua capacidade mental e emocional. Naquela partida contra a LDU, ao ser chamado para cobrar um pênalti em um momento de alta tensão, ele demonstrou a mesma serenidade. Sua estratégia de se comunicar consigo mesmo, inclusive em voz alta, é uma forma de direcionar seus pensamentos para o objetivo, afastando o medo e a negatividade.
A confiança em sua capacidade de decisão é inabalável, mesmo diante de um pênalti. Ele entende que a experiência vivida em momentos de alta pressão o torna mais forte e preparado. A atuação de Allan, seu companheiro de equipe, também foi destacada por Veiga, que o considerou o melhor jogador da partida. O meia elogiou a maturidade e a personalidade do jovem atleta, ressaltando a importância de jogadores da base demonstrarem consistência e entrega desde o início de suas carreiras profissionais.
O Futuro e a Dedicação ao Palmeiras
Com o foco voltado para a final da Libertadores contra o Flamengo, Raphael Veiga demonstra cautela e prioriza o descanso e a celebração da importante classificação. Ele reconhece a força do adversário, mas afirma que o momento é de comemorar a conquista suada e se preparar para os próximos desafios, incluindo a disputa pelo título brasileiro, onde o Palmeiras lidera. A perspectiva de uma longa carreira no clube é algo que Veiga não descarta, mas sua prioridade é desfrutar de cada momento, aproveitando ao máximo sua trajetória no Verdão.
A relação com o técnico Abel Ferreira é de profunda admiração e respeito. Veiga descreve o comandante como um profissional sábio, que sabe como transmitir suas mensagens de forma eficaz, mesmo em momentos de euforia. O meia reconhece a importância de Abel em sua jornada e na trajetória vitoriosa do Palmeiras. A celebração dos companheiros após a classificação, com gritos de “Veiga, Veiga”, demonstra o reconhecimento e o carinho do grupo, que para o jogador é fundamental para o sucesso coletivo. A força do Palmeiras, para Raphael Veiga, está na união e na dedicação de todos os envolvidos: jogadores, comissão técnica e staff.

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