O Fluminense, tradicionalmente conhecido por revelar talentos e dar oportunidades aos “Moleques de Xerém”, tem apresentado um cenário distinto em 2025, especialmente quando se trata da utilização de jogadores jovens. Em contraste com anos anteriores, onde a base frequentemente se destacava como protagonista na conquista de objetivos importantes, como títulos e campanhas de permanência, a temporada atual reflete uma menor dependência e inserção de atletas formados nas categorias de base no elenco principal. Essa mudança de paradigma levanta questões sobre a estratégia do clube e o impacto no desempenho a longo prazo.
## A Base do Fluminense: Um Histórico de Sucesso em Transformação
Por muitas temporadas, a força do Fluminense residiu em sua capacidade de nutrir e integrar jovens promessas ao time profissional. Essa filosofia não apenas gerou orgulho para a torcida, mas também se traduziu em sucesso palpável, com jogadores da base sendo peças-chave em momentos cruciais. No entanto, em 2025, essa dinâmica parece ter sofrido uma notável alteração. A análise dos atletas mais utilizados na temporada revela uma escassez de jovens talentos em posições de destaque na lista de jogadores com mais minutos em campo, indicando uma menor projeção para esses atletas no cenário competitivo atual.
## O Cenário Atual: Poucos Jovens em Destaque na Temporada
Ao examinar os números da temporada de 2025, um dado salta aos olhos: apenas um atleta da base tricolor figura entre os 23 jogadores mais utilizados pelo clube. Trata-se do volante Martinelli, um nome já consolidado no profissional há cinco anos e peça constante no time titular. Sua presença, embora relevante, sublinha a dificuldade para outros jovens terem a mesma projeção. Em seguida na lista, Riquelme Felipe aparece na 24ª posição, acumulando 753 minutos em 22 partidas, sendo a maioria delas iniciada no banco de reservas. Ele é um dos quatro jogadores promovidos que conseguiram ter mais de duas atuações com o elenco principal nesta temporada.
A pouca utilização de jovens se estende a outros nomes. Além de Riquelme, apenas outros três jovens tiveram mais de duas participações com a equipe principal desde o retorno das férias. São eles o meia Isaque, que já está com sua transferência encaminhada para o Shakhtar Donetsk, o lateral-direito Julio Fidelis, com cinco jogos, e o zagueiro Davi Schuindt, com quatro aparições. Os demais jovens tiveram suas oportunidades restritas a jogos onde o time principal foi preservado, principalmente durante a fase de grupos da Copa Sul-Americana, com escalações completamente reservas.
## Fatores que Influenciam a Menor Oportunidade para Jovens
Diversos fatores contribuem para essa menor inserção de jovens no elenco principal em 2025. Um dos principais é a dimensão do grupo de atletas à disposição. Com a contratação de 15 reforços, o Fluminense ampliou seu elenco para mais de 30 nomes. Essa superpopulação de jogadores, em sua maioria veteranos, naturalmente eleva o nível de competitividade interna por vagas no time titular. As três diferentes comissões técnicas que passaram pelo clube na temporada – Mano Menezes, Renato Gaúcho e Zubeldía – acabaram por favorecer a minutagem dos jogadores mais experientes, que, por sua vez, conquistaram maior espaço e utilização.
Os dados do Campeonato Brasileiro confirmam essa tendência. O Fluminense utilizou apenas nove jogadores com idade igual ou inferior a 23 anos nesta edição do torneio nacional. Esse número posiciona o Tricolor das Laranjeiras como o sétimo time que menos insere atletas sub-23 entre os 20 participantes da Série A. Para fins de comparação, o Palmeiras, um dos clubes com maior poder de investimento, já utilizou 14 jogadores sub-23, sendo 11 deles com menos de 21 anos. Clubes como Sport, Mirassol, Ceará, Vitória e Flamengo figuram entre aqueles que menos apostam em jovens na liga.
## O Desafio de Zubeldía e a Expectativa para o Futuro
A chegada do técnico argentino Fernando Diniz ao comando do Fluminense, em 25 de setembro, trouxe consigo uma prioridade clara: conhecer o elenco profissional a fundo e focar na preparação para a Copa do Brasil. Em relação à utilização da base, Zubeldía declarou que seria um objetivo para o “médio prazo”. Nas oito partidas sob seu comando até o momento, o treinador escalou 16 jogadores diferentes como titulares e utilizou um total de 25 atletas. Desses, apenas três possuem 23 anos ou menos: John Kennedy, Bernal e Riquelme. A média de idade desses 25 jogadores utilizados por Zubeldía impressiona, situando-se em 30,3 anos, o que evidencia a predominância de atletas mais experientes no time.
A lista de jogadores utilizados por Zubeldía, do mais jovem ao mais velho, revela a composição etária do elenco: Riquelme (18 anos), Bernal (22 anos), John Kennedy (23 anos), Martinelli (24 anos), Freytes (25 anos), Hércules (25 anos), Santi Moreno (25 anos), Canobbio (27 anos), Serna (27 anos), Guga (27 anos), Nonato (27 anos), Ignácio (28 anos), Soteldo (28 anos), Fuentes (28 anos), Lima (29 anos), Lucho (31 anos), Otávio (31 anos), Renê (33 anos), Everaldo (34 anos), Samuel Xavier (35 anos), Keno (36 anos), Thiago Santos (36 anos), Cano (37 anos), Thiago Silva (41 anos) e Fábio (45 anos). Essa composição sugere que, para os “Moleques de Xerém” ganharem mais espaço, será necessária uma combinação de oportunidades futuras, desempenho consistente e, possivelmente, uma reformulação estratégica no planejamento do elenco.

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