Em uma noite histórica para o futebol argentino, o Independiente Rivadavia protagonizou uma ascensão meteórica, conquistando o maior título de sua trajetória: a Copa Argentina. A façanha, coroada com a vitória sobre o Argentinos Juniors nos pênaltis, garante ao clube uma inédita vaga na Copa Libertadores da América de 2026. Em um lapso de apenas dois anos, a equipe saltou de sua estreia na elite do futebol nacional para o posto de campeã, escrevendo um capítulo inesquecível em sua história. A partida decisiva foi um espetáculo à parte, recheada de emoções, reviravoltas e um desfecho dramático nos minutos finais e na disputa das penalidades.
A Trajetória Improvável de um Campeão
A conquista da Copa Argentina pelo Independiente Rivadavia não é apenas um feito esportivo, mas a materialização de um sonho nutrido por décadas. Fundado em 1913, o clube da cidade de Mendoza experimentou sua primeira incursão na primeira divisão argentina apenas em 2024. Portanto, erguer uma taça nacional sequer figurava nas mais otimistas projeções de seus torcedores. Distante da efervescência futebolística da capital, Buenos Aires, Mendoza se encontra geograficamente mais próxima de Santiago, capital chilena, o que historicamente o manteve à margem dos circuitos mais tradicionais do futebol argentino. Por muitos anos, o clube disputou apenas competições regionais, passando depois por diversas divisões inferiores antes de alcançar a glória.
Uma Final de Tirar o Fôlego
A decisão da Copa Argentina foi um verdadeiro teste para os nervos. Ao longo de mais de cem minutos de puro suor e entrega, o Independiente Rivadavia precisou superar adversidades extremas. A equipe viu dois jogadores serem expulsos, além do técnico Alfredo Berti ser retirado para a arquibancada. Quando a partida se encaminhava para o fim, com o placar empatado, um gol agônico aos 52 minutos do segundo tempo manteve vivas as esperanças do título, levando a decisão para a marca da cal. O placar de 2 a 2 no tempo regulamentar selou a paridade, e a tensão migrou para a disputa de pênaltis, onde o Rivadavia se sagrou vitorioso por 5 a 3.
Heróis Inesperados e Ídolos de uma Nação Azul
O estádio Juan Domingo Perón, casa do Instituto, foi palco da festa dos torcedores do Independiente Rivadavia, que vibraram a cada lance. Alex Arce, atacante paraguaio, emergiu como um dos grandes protagonistas da campanha. Ele foi peça fundamental no acesso do clube em 2023. Mesmo após uma transferência para a LDU de Quito, Arce retornou ao Rivadavia em um momento crucial da campanha semifinalista de seu antigo clube na Libertadores, e liderou os argentinos à glória na Copa. A expulsão de um atleta e, posteriormente, do técnico Berti, que comandou o acesso em 2023 e retornou ao clube em agosto de 2024, após um período longe, aumentou o drama. Berti, que soma 80 jogos pelo clube com 40 vitórias, 22 empates e 18 derrotas, assistiu à virada histórica de sua equipe das arquibancadas. No apagar das luzes, com acréscimos que se estenderam por quinze minutos, Erik Godoy empatou para o Argentinos Juniors, forçando a disputa de pênaltis.
A Emoção dos Pênaltis e a Goleada de Marinelli
A disputa por pênaltis reservou ainda mais emoções. Enquanto o Independiente Rivadavia converteu todas as suas cobranças, o artilheiro da competição, Molina, viu sua cobrança ser defendida pelo goleiro Gonzalo Marinelli. Uma particularidade marcou a decisão: o árbitro mandou repetir a cobrança após identificar que o goleiro Marinelli havia se adiantado. Na segunda chance, a defesa se repetiu, eternizando Marinelli na história do clube. Ele assumiu a posição de herói improvável, já que o goleiro titular e decisivo na semifinal contra o River Plate, Ezequiel Centurión, saiu lesionado aos 45 minutos do segundo tempo. Marinelli, aos 36 anos, foi o grande nome da conquista que garantiu ao Independiente Rivadavia uma vaga inédita na Copa Libertadores de 2026, consolidando uma ascensão que desafiava as expectativas e encanta o futebol sul-americano.

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