O Fluminense encerrou um jejum incômodo de gols com um triunfo apertado sobre o Mirassol, que valeu três pontos preciosos no Brasileirão. A vitória por 1 a 0, marcada por um gol de Serna que teve contornos de colaboração defensiva do adversário, evidenciou a busca contínua do técnico Fernando Diniz por um ataque mais eficaz. A dificuldade em encontrar consistência no setor ofensivo tem sido um dos principais desafios da equipe, que busca consolidar sua posição na tabela e afastar o fantasma da zona de rebaixamento.
A Busca Incansável por um Centroavante Letal
A estatística fria é implacável: desde a chegada de Fernando Diniz ao comando técnico do Fluminense, o time entrou em campo em dez oportunidades, com a presença de um centroavante em todas elas. No entanto, o número de bolas nas redes por essa posição se resume a duas. Um gol anotado por John Kennedy, em uma cobrança de pênalti, e outro de Germán Cano, logo na estreia do treinador. Essa escassez de gols de atacantes de ofício tem sido um ponto de preocupação para a comissão técnica e para a torcida, que espera mais poder de fogo do seu sistema ofensivo. A própria atuação de Serna, cujo gol pode ter sido beneficiado por um desvio, reflete a dificuldade em construir jogadas mais claras e finalizá-las com contundência.
Alternativas em Busca de Solidez no Ataque
Diante deste cenário, Diniz tem testado diferentes formações e peças no ataque. A entrada de Everaldo no lugar de John Kennedy foi uma das novidades para este confronto contra o Mirassol. A realidade, contudo, é que os três atacantes mencionados – Cano, Kennedy e Everaldo – parecem estar em um patamar semelhante de desempenho: alternam momentos de brilho com períodos de apagamento. Nenhum deles tem conseguido se firmar como titular absoluto, capaz de desequilibrar partidas de forma consistente. Cada um possui suas qualidades e limitações, sendo importantes em determinados contextos táticos, mas a falta de uma referência clara e letal no ataque impede que o Fluminense atinja um outro patamar de performance.
Números que Revelam a Crise Ofensiva
Para ilustrar a dificuldade, até o gol de Serna nesta partida, a artilharia da “Era Diniz” entre os atacantes pertencia ao lateral-direito Samuel Xavier, que balançou as redes duas vezes. Agora, Serna divide essa marca com o colega de equipe. A análise dos minutos em campo e a produção ofensiva dos centroavantes sob o comando de Diniz é ainda mais reveladora:
- Everaldo: 130 minutos em campo, 0 gols e 0 assistências.
- John Kennedy: 448 minutos em campo, 1 gol e 2 assistências.
- Germán Cano: 352 minutos em campo, 1 gol e 0 assistências.
Esses números expõem a falta de gols e de participação direta em tentos por parte dos homens de referência do ataque. A dependência de outros setores do campo para balançar as redes tem sido uma constante, o que não é sustentável para um time que almeja voos mais altos no campeonato.
Diniz Explica Escolhas e Admite Busca por Pivô
Após a partida, Fernando Diniz, em entrevista coletiva, buscou justificar a escalação de Everaldo como titular. O treinador admitiu que a estratégia foi pensada para o estilo de jogo do Mirassol, que costuma marcar em linha alta. “Sentíamos que na partida que jogamos lá com o Mirassol, eles jogavam alto e os zagueiros fazia marcação alta. E a gente precisava de um jogador que fizesse o pivô para poder romper a pressão que eles exerciam. Em algumas jogadas utilizamos o Everaldo, alternando jogadas boas e ruins, mais boas do que ruins, ele fazia o pivô. Por outro lado, o jogador que nos ajuda a aguentar a pressão com mais facilidade”, declarou Diniz. A expectativa é que Everaldo mantenha a titularidade no próximo compromisso contra o Cruzeiro, no Mineirão.
Fim do Jejum Coletivo e Perspectivas para a Libertadores
Apesar das dificuldades individuais, a vitória contra o Mirassol representou um alívio coletivo para o setor ofensivo do Fluminense. O último gol marcado por um atacante do time havia sido de Keno, em 4 de outubro, contra o Atlético-MG, completando mais de um mês sem que os homens de frente deixassem sua marca. O gol de Serna, mesmo que com a colaboração do adversário, encerrou essa estatística negativa. Com este resultado, o Fluminense alcançou a marca de 50 pontos na tabela de classificação, ficando a apenas dois pontos da zona de classificação direta para a Copa Libertadores da América. A busca por uma vaga no torneio continental continua sendo um dos principais objetivos da temporada, e a melhora no desempenho ofensivo será crucial para que esse sonho se materialize.

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