A recente visita de Lionel Messi ao Camp Nou, palco histórico de sua brilhante carreira no futebol, gerou uma onda de comoção e especulações. O astro argentino, um dos maiores ícones da história do Barcelona, surpreendeu a todos ao aparecer nas instalações do clube sem qualquer aviso prévio. Este episódio não apenas destacou a profunda conexão emocional que Messi mantém com o estádio, mas também evidenciou as complexidades e os ressentimentos que marcaram o fim de sua trajetória no clube catalão, especialmente em sua relação com o presidente Joan Laporta.
A Surpresa Visita ao Camp Nou e a Ausência de Despedida
A presença de Lionel Messi no Camp Nou, um local que foi o seu “segundo lar” por tantos anos, causou um espanto geral. O fato de o clube não ter sido notificado previamente sobre a visita do jogador mais emblemático de sua história sublinha a natureza inesperada do evento. A repercussão desta aparição não só reacendeu memórias de glórias passadas, mas também escancarou a delicada dinâmica atual entre o craque argentino e o presidente Joan Laporta. O que outrora foi um vínculo de admiração mútua e apoio incondicional, infelizmente, degenerou para um sentimento de mágoa e distanciamento.
No dia seguinte à sua aparição no Camp Nou, o presidente Joan Laporta concedeu uma entrevista à Rádio Catalunya, na qual abordou a questão. Laporta fez questão de desmentir quaisquer boatos sobre um possível retorno de Messi ao clube. Ele reiterou que não se arrepende da saída do camisa 10, frisando que, para ele, o Barcelona sempre estará acima de qualquer indivíduo. Contudo, o dirigente também expressou sua disposição em organizar uma justa homenagem ao jogador, caso isso pudesse contribuir para a melhora da relação. “Eu não me arrependo. O Barcelona está por cima de tudo. Mas se a homenagem ajudar (a melhorar a relação), seria fantástico. Por máximo respeito ao Messi e aos profissionais do clube, eu não faria uma especulação que não é realista. Não corresponde”, declarou Laporta, buscando manter um tom diplomático, mas firme em suas convicções.
Do Amor ao Clube à Amargura da Saída: Um Vínculo Rompido
A relação entre Lionel Messi e Joan Laporta remonta a muitos anos. Laporta, um respeitado advogado e figura política na Catalunha, presidiu o Barcelona entre os anos de 2003 e 2010, período este em que Messi emergia das categorias de base como uma promessa inigualável. Durante esse tempo, a imprensa espanhola consistentemente relatou uma forte e positiva ligação entre ambos. O retorno de Laporta ao cargo de presidente em 2021, após a renúncia de Josep Maria Bartomeu, em meio à pior crise financeira e institucional que o clube já havia enfrentado em sua história recente, trazia consigo a esperança de uma nova era.
No entanto, a realidade se mostrou implacável. Meses antes da eleição que o colocaria de volta à presidência, Messi já manifestava publicamente seu desejo de deixar o clube. A gota d’água para o craque foi a humilhante derrota por 8 a 2 para o Bayern de Munique, nas quartas de final da Liga dos Campeões. Embora houvesse uma cláusula em seu contrato que permitia sua saída sem custos, o Barcelona, sob a gestão de Josep Bartomeu, alegou que o prazo para ativação desta cláusula havia expirado em junho, data original de encerramento da temporada. Essa interpretação do contrato gerou o primeiro grande atrito.
O clima entre Messi e a diretoria deteriorou-se ainda mais quando o argentino criticou publicamente outras decisões administrativas, como a venda de seu amigo Luis Suárez para o rival Atlético de Madrid. Em meio à crescente crise e à pressão insuportável da torcida, Laporta se destacou como um dos primeiros a defender abertamente a renúncia de Bartomeu. “Eles têm minado a moral de Messi para se salvarem da crise que criaram”, chegou a escrever Laporta em suas redes sociais. “Se eles renunciassem, ainda haveria esperança de que Messi permanecesse.” Essa postura, na época, foi vista como uma tentativa de ganhar a simpatia do ídolo e da torcida.
A Campanha Eleitoral e a Promessa Não Cumprida
Com a saída de Bartomeu em outubro de 2020, Joan Laporta lançou oficialmente sua candidatura para retornar à presidência do Barcelona. Seu principal concorrente era Victor Font, mas Laporta soube capitalizar sua histórica boa relação com Lionel Messi como um trunfo político inestimável. Ele fez da promessa de manter o craque argentino no clube um dos pilares de sua campanha. Sua primeira ação, caso eleito, seria sentar-se com Messi para convencê-lo a renovar seu contrato e permanecer na Catalunha.
“Messi ama o Barça e tenho certeza de que vai lhe dar uma chance. Se estou orgulhoso de algo, é que aquilo que foi dito sempre foi cumprido. Queremos um projeto vencedor que volte a dominar a Champions League e penso que com o Leo no elenco podemos construir uma equipe muito boa”, declarou Laporta durante a campanha, buscando transmitir confiança e segurança.
Durante o período eleitoral, Messi protagonizou um gesto inédito: compareceu pessoalmente às urnas, acompanhado de seu filho Thiago, para exercer seu direito de voto nas eleições do clube. Esse ato foi amplamente interpretado como um claro sinal de apoio à candidatura de Laporta, que, de fato, acabou sendo eleito em março de 2021. A expectativa era alta, mas, infelizmente, a promessa de manter a maior estrela do clube em Barcelona não se concretizou.
O Fim de uma Era e os Ressentimentos Guardados
Ao final da temporada de 2020/2021, Lionel Messi deixou o Barcelona contra a sua própria vontade. O clube, imerso em uma severa crise financeira, não conseguiu atender às exigências do fair play financeiro imposto pela La Liga, o que impossibilitou a renovação de seu contrato. A saída de Messi marcou o fim de uma era dourada para o clube e representou uma ruptura definitiva na relação entre o jogador e Joan Laporta. O astro argentino sentiu-se profundamente traído por não ter sido informado com antecedência sobre a inviabilidade da renovação, uma decisão que veio a público de forma abrupta.
Em outubro de 2023, o presidente do clube catalão foi convidado para um programa televisivo na Espanha, onde comentou a conturbada saída do craque. “Tínhamos uma relação muito boa com o Messi. Quando não renovamos o contrato, essa relação se estragou, mas conseguimos alguma reaproximação. O que queremos é que se possa fazer a grande homenagem que merece”, afirmou Laporta, buscando demonstrar uma vontade de reconciliação.
Apesar dessas declarações de Laporta sobre uma melhora no relacionamento, Jordi Mestre, que ocupou o cargo de vice-presidente do clube entre 2015 e 2019, revelou em entrevista à Sports360 que o argentino e sua família ainda guardam profundos ressentimentos em relação a todo o episódio. “Tudo o que fizermos por Messi será muito pouco. (…) Sei por terceiros que Messi e sua família estão muito bravos com Laporta”, confidenciou Mestre, expondo a persistência da mágoa. Atualmente, o Camp Nou, que esteve fechado para reformas desde maio de 2023, reabriu suas portas em 7 de novembro, permitindo aos torcedores assistir a um treino aberto da equipe. Durante o evento, Laporta mencionou o desejo de homenagear o ídolo argentino. No entanto, essa fala ocorreu apenas três dias antes da surpreendente visita de Messi ao estádio, na qual ele expressou seu desejo de retornar ao clube, não apenas para uma despedida, como indicou em sua legenda de postagem. Recentemente, o craque argentino renovou seu contrato com o Inter Miami até 2028, adicionando mais um capítulo à sua já lendária carreira.

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