A jornada de Luciano Acosta, o “Lucho” do Fluminense, é uma prova de resiliência e superação. O talentoso meia argentino, conhecido por sua habilidade ímpar com a bola nos pés, é mais do que apenas 1,60m de pura técnica. Sua trajetória é marcada por desafios significativos, tanto físicos quanto esportivos, que ele soube transpor com bravura e o apoio fundamental de sua família e dos clubes que o acolheram. Eleito o melhor jogador da MLS e pupilo de um ícone como Juan Román Riquelme, Lucho Acosta construiu uma carreira repleta de momentos marcantes, provando que as adversidades podem ser degraus para o sucesso.
Uma Infância com Desafios de Crescimento e o Sonho do Futebol
A semelhança com Lionel Messi, outro gigante nascido em Rosário, na Argentina, vai além do talento precoce e da paixão pelo futebol. Ambos enfrentaram dificuldades relacionadas ao crescimento físico durante a infância e adolescência. Lucho Acosta descobriu uma deficiência hormonal que impactava seu desenvolvimento, uma notícia que poderia ter abalado qualquer jovem jogador. No entanto, o meia argentino transformou essa descoberta em motivação. Em vez de se deixar abater, focou em fortalecer seu corpo na academia e aprimorar suas habilidades, decidindo não se apegar às métricas de altura, mas sim à sua evolução como atleta. Essa mentalidade resiliente foi crucial para que ele continuasse trilhando seu caminho no mundo do futebol, mesmo diante de previsões que poderiam indicar o contrário.
O Apoio Incondicional do Boca Juniors e o Elo com Riquelme
Integrando a base do Boca Juniors desde os 13 anos, Lucho Acosta testemunhou seus colegas de equipe crescerem enquanto ele mantinha sua estatura. Em situações normais, essa diferença de desenvolvimento poderia levar à dispensa de um jovem jogador. Contudo, o Boca Juniors, reconhecendo o potencial latente de Acosta, decidiu apostar em seu talento. O meia argentino confessa ter considerado abandonar o futebol em determinados momentos, antes de se tornar profissional. Foi o apoio incondicional de seus familiares e a confiança depositada pelo clube xeneize que o mantiveram firme em seu sonho. Essa lealdade do clube foi um pilar fundamental para sua ascensão. O contato com Juan Román Riquelme, ídolo e posteriormente presidente do Boca, foi outro ponto de virada. Riquelme se tornou uma figura mentora para Lucho, e a oportunidade de brilhar no time principal surgiu de forma circunstancial, com a lesão de Riquelme e o empréstimo de Leandro Paredes, abrindo espaço para o jovem meia ganhar minutos sob o comando do técnico Claudio Bianchi. Ele logo conquistou o coração da torcida, tornando-se um dos jogadores mais queridos.
A Conquista da Camisa 10 e a Inesperada Transição para os Estados Unidos
Aos 19 anos, em 2014, Lucho Acosta fez sua estreia profissional sob as ordens do lendário Riquelme. Sua ascensão foi rápida, e ele se tornou um xodó da torcida. O momento mais icônico de sua passagem pelo Boca Juniors, além de se tornar o primeiro jogador a vestir a camisa 10 após a saída de Riquelme, solidificou seu lugar na história do clube. Após sua saída do Boca, Acosta tinha um acordo encaminhado para se juntar ao Coritiba, já sendo aguardado na capital paranaense. No entanto, o destino reservava um rumo diferente. O DC United, da Major League Soccer (MLS), interveio e comprou seus direitos, levando-o para os Estados Unidos. Essa mudança inesperada marcou o início de uma nova e promissora fase em sua carreira, onde ele se destacaria e se tornaria uma figura renomada.
O Quase Acerto com o PSG e a Consolidação como Lenda na MLS
O período de Lucho Acosta nos Estados Unidos foi de absoluto protagonismo. Ele não apenas se estabeleceu como um dos principais jogadores da MLS, mas foi eleito o melhor jogador da liga, sendo considerado por muitos como o maior da história da competição até a chegada de Lionel Messi. Sua performance em campo chamou a atenção de gigantes europeus. Em 2019, quando defendia o DC United, o meia esteve perto de uma transferência milionária para o Paris Saint-Germain (PSG). A proposta girava em torno de 10 milhões de dólares, e Lucho chegou a viajar para a França para assinar o contrato, inclusive realizando a revisão médica e escolhendo a camisa 18. Contudo, o DC United recusou a oferta no último momento, o que gerou grande frustração no jogador. Essa negociação frustrada resultou em uma queda de rendimento e, ao final de seu contrato, em outubro daquele mesmo ano, ele deixou o clube para atuar no Atlas, do México. Mesmo com essa oportunidade perdida, a sua trajetória na MLS o consagrou como um dos maiores talentos que a liga já viu.
A Amizade Inusitada com Wayne Rooney e um Gol Épico
Enquanto defendia o DC United, Lucho Acosta teve a oportunidade de compartilhar vestiário com uma lenda do futebol mundial: Wayne Rooney. A dupla, apelidada de “LuchoRoo”, formou uma conexão especial em campo entre 2018 e 2019, período que marcou os últimos momentos do argentino no clube. Apesar das barreiras idiomáticas entre inglês e espanhol, a comunicação em campo era impecável. Um lance memorável protagonizado por eles contra o Orlando City na MLS ilustra essa sintonia. Em uma jogada épica, Rooney recuperou a bola e deu um passe para Acosta, que, mesmo com sua baixa estatura, marcou um gol de cabeça aos 51 minutos do segundo tempo. Lucho relatou com humor a situação: “Ele me falou: estávamos os dois no rebote, vimos o goleiro passar, e eu disse para ele ‘não vou voltar para marcar’. Ele me olhou e disse ‘tranquilo, eu volto’. Estávamos falando, sai o contra-ataque e, quando olho, vejo ele correndo. Voltei um pouco, fiquei, porque vi que ele recuperou, cruzou e eu ganhei de cabeça. Foi épico e muito engraçado. Porque ele voltou para marcar e eu ganhei de cabeça, quando deveria ser o contrário.” Essa experiência reforça a profunda amizade e o respeito mútuo que desenvolveram, com Rooney sendo um verdadeiro maestro para Lucho em campo.
Após o empate contra o Cruzeiro, o elenco do Fluminense recebeu dois dias de folga. A equipe, que se reapresentou nesta quarta-feira, ocupa a sétima posição na tabela de classificação do Brasileirão com 51 pontos, posição que garante vaga na próxima edição da Copa Libertadores. Com a pausa para os amistosos da Seleção Brasileira, o Tricolor das Laranjeiras só volta a campo no dia 19 de novembro, uma quarta-feira, quando enfrentará o arquirrival Flamengo, às 21h30 (horário de Brasília), em um Maracanã que promete estar lotado.

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