O empate em 3 a 3 entre Atlético-MG e Fortaleza, realizado na Arena MRV na última quarta-feira, desencadeou uma série de discussões acaloradas sobre a atuação da arbitragem no Campeonato Brasileiro. O presidente do clube mineiro, Sérgio Coelho, voltou a manifestar seu descontentamento, apesar de reconhecer as falhas da própria equipe no segundo tempo da partida. A polêmica central reside na marcação de um pênalti para o Fortaleza nos minutos finais, lance que, segundo Coelho, foi determinante para o resultado aquém do esperado e que já era antecipado pelo dirigente.
Críticas à Arbitragem e o Pênalti Polêmico
Sérgio Coelho não se esquivou de admitir que o Atlético-MG não apresentou seu melhor futebol na segunda etapa, permitindo que o Fortaleza reagisse e empatasse a partida. “Não estou aqui justificando este resultado ruim falando mal da arbitragem. Vamos separar o joio do trigo. Não jogamos bem no segundo tempo e tomamos gols por falhas nossas. Temos que assumir nossos erros e assumimos”, declarou o presidente, demonstrando transparência. No entanto, ele fez questão de ressaltar que a escalação do árbitro Sávio Pereira Sampaio já era um ponto de preocupação prévia. “Quanto à arbitragem, aconteceu o que avisei. Isso foi ‘tragédia anunciada’. Este árbitro sempre erra contra a gente”, afirmou Coelho, demonstrando um histórico de insatisfação com as atuações do profissional.
A controvérsia girou em torno de dois pontos principais: o tempo de acréscimo concedido pelo árbitro e a penalidade marcada para a equipe cearense. No lance em questão, que ocorreu aos 17 minutos do segundo tempo, Sávio Pereira Sampaio inicialmente nada marcou em uma disputa entre Ruan Tressoldi e o jogador do Fortaleza, Gastón. Contudo, após ser acionado pelo VAR, o árbitro foi chamado para revisar a jogada no monitor. A análise posterior o levou a interpretar que o zagueiro do Galo teria tocado o braço de forma faltosa no adversário, resultando na marcação do pênalti.
A Análise do VAR e a Comparação de Lances
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou a análise completa do VAR sobre o lance, buscando trazer transparência ao processo. Wagner Reway, responsável pela operação de vídeo na partida, considerou que Ruan Tressoldi realizou um “movimento adicional” com o punho em direção ao rosto de Gastón, antes mesmo da bola chegar, o que impediu o adversário de disputar a jogada. “Antes da bola chegar, ele (Ruan) faz o movimento com o punho em direção ao rosto do jogador (Gastón). O braço ainda toca no outro braço, mas vai direto em direção ao rosto. Vou recomendar possível penal”, explicou Reway na gravação. Sávio Pereira Sampaio, após rever as imagens, corroborou a interpretação, afirmando que o braço atingiu o rosto do adversário com um movimento extra da mão e do braço.
Sérgio Coelho, contudo, contestou veementemente a decisão. “Afirmo com toda segurança que não foi pênalti. Antes de estar aqui afirmando, eu perguntei a três ex-árbitros FIFA e eles foram unânimes em dizer que não foi pênalti e que sete minutos foi muito de acréscimo”, declarou o presidente do Atlético-MG. Para embasar seu ponto de vista, ele traçou um paralelo com uma jogada ocorrida na rodada anterior, no jogo entre Cruzeiro e Fluminense, onde um lance envolvendo Matheus Pereira foi interpretado como “acidental” pelo VAR. Na ocasião, o árbitro Rodrigo José Pereira de Lima, após revisão, entendeu que o movimento do braço do jogador cruzeirense foi consequência de um desequilíbrio causado por uma entrada de Bernal. “Para ilustrar, vamos comparar este lance do pênalti contra o Galo com o lance no domingo passado, no jogo do Cruzeiro contra o Fluminense, quando Matheus Pereira acertou o Bernal. O árbitro foi chamado pelo VAR, analisou o lance e nem amarelo deu”, contrastou Coelho.
A Comissão de Arbitragem e a Crise da Arbitragem
O descontentamento do presidente do Atlético-MG não se limitou à atuação pontual do árbitro Sávio Pereira Sampaio. Ele também direcionou suas críticas à comissão de arbitragem, acusando-a de defender cegamente os árbitros em detrimento das reclamações dos clubes. “E não adianta reclamar com a comissão de arbitragem. Eles só sabem defender os árbitros, talvez seja por isso que nossa arbitragem está em crise há anos”, disse, exemplificando a sensação de ineficácia em suas interpelações. “A sensação que tenho, quando reclamamos de uma arbitragem com a comissão de arbitragem, é igual à de enxugar gelo.”
A postura de Sérgio Coelho evidencia um debate recorrente no futebol brasileiro, onde a transparência e a qualidade da arbitragem são constantemente questionadas. A divulgação da análise do VAR é um passo importante, mas as interpretações divergentes e a percepção de falhas repetidas por parte de certos árbitros continuam a alimentar o ciclo de insatisfação entre clubes e torcedores, impactando diretamente a credibilidade das competições.

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