O futebol sul-americano, palco de rivalidades históricas e de confrontos que transcendem as quatro linhas, reserva capítulos à parte quando se trata de decisões continentais. Em um cenário onde a glória e a decepção caminham lado a lado, as estatísticas em finais de torneios da CONMEBOL contam histórias fascinantes. Recentemente, um embate iminente entre gigantes do continente evidenciou uma disparidade notável em retrospecto de finais, um fator que, para muitos, pode ser um diferencial no calor da disputa pelo título máximo.
Flamengo se prepara para duelo contra o Atlético-MG e mira a final da Libertadores
O Clube de Regatas do Flamengo, em meio a uma reta final de Campeonato Brasileiro eletrizante, volta a campo nesta terça-feira, 25 de outubro, para um confronto de peso contra o Atlético Mineiro. O palco deste embate será a moderna Arena MRV, em Belo Horizonte, a partir das 21h30, válido pela 36ª rodada do Brasileirão Betano. O Rubro-Negro chega a este compromisso embalado por uma vitória expressiva sobre o Red Bull Bragantino em seus domínios, um resultado que reforça a boa fase da equipe na competição nacional.
No cenário do Brasileirão, o Flamengo ostenta a liderança isolada com 74 pontos conquistados. A equipe carioca mantém uma vantagem confortável de quatro pontos sobre o Palmeiras, o vice-líder com 70 pontos, e seis pontos à frente do Cruzeiro, que ocupa a terceira posição com 68 pontos. Em contrapartida, o Atlético Mineiro, mandante deste duelo, figura na 11ª colocação da tabela, somando 44 pontos. Embora a disputa pelo título nacional esteja acirrada, a mente do elenco flamenguista já se projeta para um objetivo ainda maior: a tão aguardada final da Copa Libertadores da América.
A decisão continental está marcada para o próximo sábado, 29 de outubro, às 18h, e acontecerá em território neutro, no Estádio Monumental, em Lima, no Peru. O confronto colocará frente a frente o Flamengo e o Palmeiras, ambos em busca de erguer o troféu da Libertadores pela quarta vez em suas histórias. No entanto, quando o assunto são finais em competições sul-americanas, o retrospecto do clube carioca apresenta uma ligeira vantagem sobre o seu futuro adversário.
O histórico vitorioso do Flamengo em finais continentais
O Flamengo se prepara para disputar sua 13ª final continental em Lima, buscando consolidar um histórico de sucesso em decisões organizadas pela CONMEBOL. Ao longo de sua trajetória, o Mais Querido do Brasil conquistou seis títulos e acumulou seis vice-campeonatos, totalizando um aproveitamento de exatos 50% em disputas de taças na América do Sul. Essa marca demonstra a capacidade da equipe em alcançar as fases decisivas e, frequentemente, levantar troféus.
A análise detalhada revela que o Flamengo já esteve presente em quatro finais da Copa Libertadores, saindo vitorioso em três delas (1981, 2019 e 2022) e amargando um vice-campeonato em 2021. No que diz respeito à Copa Mercosul, o clube participou de duas finais, obtendo um título em 1999 e um vice em 2001. A Supercopa Libertadores também viu o Rubro-Negro em duas decisões, ambas resultando em vice-campeonatos (1993 e 1995). Além disso, o Flamengo ostenta um título na Recopa Sul-Americana em 2020, após ter sido vice em 2023. Sua galeria de conquistas continentais também inclui um título na Copa Ouro Nicolás Leóz em 1996, mas a Copa Sul-Americana de 2017 terminou com um vice-campeonato.
Palmeiras busca aprimorar seu retrospecto em finais sul-americanas
O Palmeiras, por sua vez, se prepara para a sua 12ª decisão na América do Sul, buscando modificar um aproveitamento que, historicamente, tem sido menos favorável em comparação ao seu futuro adversário. Ao todo, o Verdão conquistou cinco títulos continentais e acumulou seis vice-campeonatos, o que resulta em um percentual de 45,45% de aproveitamento em finais da CONMEBOL. Essa estatística evidencia a dificuldade do clube em fechar campanhas com títulos nas fases mais agudas.
O clube alviverde já protagonizou seis finais da Copa Libertadores, sagrando-se campeão em três oportunidades (1999, 2020 e 2021) e sendo vice em outras três (1961, 1968 e 2000). Na Copa Mercosul, foram três decisões, com um título conquistado em 1998 e dois vice-campeonatos em 1999 e 2000. Nas duas finais que disputou pela Recopa Sul-Americana, o Palmeiras saiu vitorioso em 2022, mas amargou um vice em 2021. Estes números mostram um clube que frequentemente chega às decisões, mas que tem um desafio em converter a maioria delas em taças.
Confrontos diretos em finais continentais: um histórico equilibrado
A final da Copa Libertadores deste ano marcará o terceiro encontro entre Flamengo e Palmeiras em decisões continentais, um embate que, curiosamente, apresenta um título para cada lado até o momento. O primeiro capítulo dessa rivalidade decisiva ocorreu em 1999, na final da Copa Mercosul. Na ocasião, o Flamengo levou a melhor, com uma vitória por 4 a 3 no Rio de Janeiro e um empate heroico de 3 a 3 em São Paulo, garantindo o título. Já a vingança palmeirense veio em 2021, na final da Copa Libertadores, onde o Verdão triunfou por 2 a 1 em Montevidéu, no Uruguai, conquistando o troféu mais cobiçado da América do Sul.
Esses confrontos passados adicionam uma camada extra de rivalidade e expectativa para a decisão em Lima. Enquanto o Flamengo buscará consolidar seu bom retrospecto em finais e ampliar sua coleção de títulos, o Palmeiras tentará quebrar essa sequência e reafirmar sua força no cenário sul-americano. A diferença de aproveitamento em finais continentais pode ser um fator psicológico, mas em campo, o que prevalece é o desempenho das equipes no dia do jogo, a estratégia dos treinadores e a capacidade dos jogadores de suportarem a pressão de uma decisão tão importante. O futebol sul-americano, em sua essência, é feito de surpresas e de partidas que ficam marcadas na história.

Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







