O Santos vive um momento delicado na temporada, buscando desesperadamente reagir no Brasileirão Betano, mas enfrentando sérias dificuldades no setor ofensivo. A falta de uma referência clara no comando do ataque tem sido um obstáculo persistente, impactando diretamente o desempenho da equipe e aumentando a pressão em um momento crucial da competição.
A Busca por um Goleador: Um Enigma para o Peixe
Historicamente conhecido por ter ataques avassaladores e jogadores que decidiam partidas, o Santos em 2025 parece ter perdido essa identidade. Os números ofensivos da equipe estão em queda livre, e a principal explicação para essa debandada de gols reside no baixo rendimento dos centroavantes. Nenhum dos atletas contratados ou que tiveram oportunidades conseguiu se firmar sob o comando do técnico Juan Pablo Vojvoda. Essa carência de um goleador confiável tem sido um peso adicional a cada rodada, minando as chances de vitórias e somando pontos cruciais.
As principais apostas para a função de camisa 9 foram Lautaro Díaz e Tiquinho Soares. No entanto, ambos têm decepcionado as expectativas. Lautaro Díaz, por exemplo, soma míseros três gols em 13 jogos disputados, o que o fez perder espaço no time titular. Tiquinho Soares, por sua vez, marcou sete vezes em 38 partidas, um desempenho considerado muito abaixo do esperado para um jogador de sua experiência e reputação. Esse cenário tem gerado frustração tanto dentro do clube quanto entre os torcedores, e a pressão sobre o elenco ofensivo só aumenta a cada jogo que passa.
A situação de Tiquinho Soares é particularmente preocupante. O atacante não entra em campo desde o dia 1º de novembro, acumulando cinco partidas consecutivas no banco de reservas. Lautaro Díaz, embora tenha tido mais minutos em campo recentemente, virou desfalque no último compromisso do time devido a dores no joelho direito. Com ambos os jogadores em fase de adaptação ou com problemas físicos, o Santos segue sem uma referência fixa e confiável no ataque, um problema crônico que precisa ser resolvido com urgência.
Vojvoda e as Táticas Forçadas para Superar a Crise Ofensiva
Diante da inoperância de seus centroavantes, o técnico Juan Pablo Vojvoda tem sido obrigado a buscar alternativas táticas para compensar a falta de poder de fogo. Uma das estratégias adotadas foi a escalação de um “falso 9”, uma tentativa de suprir a ausência de um atacante de ofício que consiga finalizar as jogadas. Neymar chegou a ser escalado nessa função nos últimos jogos, mas sua participação é sempre incerta devido a um problema no joelho, o que limita a efetividade dessa estratégia.
No empate em 1 a 1 contra o Internacional, o treinador voltou a testar variações na formação tática. Rollheiser foi escalado inicialmente centralizado, mas sua atuação foi apagada, com pouca produção ofensiva e nenhuma finalização ao gol. Na segunda etapa, Thaciano foi deslocado para a função de “falso 9”, mas também encontrou dificuldades em se desvencilhar da marcação e criar oportunidades. O resultado dessas experiências foi um ataque previsível e de baixa efetividade, que demonstrou a dificuldade da equipe em criar e converter lances de perigo.
Essas tentativas de Vojvoda ilustram o quão complexo se tornou o setor ofensivo do Santos. O time tem criado poucas chances claras de gol, finaliza mal e demonstra uma enorme dificuldade em converter as oportunidades que aparecem em gols. A falta de confiança do ataque reflete diretamente no desempenho coletivo da equipe, e a cada rodada sem os resultados esperados, o peso da situação se intensifica, evidenciando a necessidade de encontrar soluções rápidas e eficazes para o problema.
A Luta Contra o Rebaixamento: A Pressão se Intensifica
O Santos se prepara agora para um confronto direto contra o Sport, válido pela 36ª rodada do Brasileirão Betano. A partida, que acontecerá na Vila Belmiro, promete ser eletrizante e decisiva para as pretensões do Peixe na competição. Atualmente, o clube ocupa a incômoda 17ª colocação na tabela, com 38 pontos, apenas um ponto à frente do Vitória, que fecha a zona de rebaixamento. Um tropeço em casa pode ter consequências catastróficas na luta pela permanência na Série A.
Internamente, a cobrança por um desempenho ofensivo mais consistente é enorme. Vojvoda segue estudando alternativas e pode promover novas mudanças na equipe para tentar reverter o quadro. A expectativa é de um time mais agressivo e com maior consciência tática em suas investidas ao ataque. No entanto, o grande desafio é encontrar soluções imediatas e que funcionem em um momento tão crítico da temporada, onde cada ponto é valioso.
A reta final do Brasileirão Betano promete ser de muita tensão na Vila Belmiro. Sem uma referência clara no comando do ataque, o Santos aposta na força do coletivo e na capacidade de superação de seus jogadores. O tempo é escasso, a margem de erro é mínima e o setor ofensivo precisa urgentemente encontrar o caminho das redes. Caso contrário, o risco de rebaixamento para a Série B continua sendo uma realidade palpável e assustadora para o clube.

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