Em uma reviravolta que agitou o cenário do futebol brasileiro, Abel Braga, um nome reverenciado por sua trajetória vitoriosa, especialmente pela conquista do Mundial de 2006, aceitou um desafio monumental: resgatar o Internacional da beira do abismo do rebaixamento. O experiente comandante, que estava afastado das atividades de treinador desde 2022, retorna ao comando do Colorado para as duas partidas derradeiras da temporada de 2025 do Brasileirão Betano. A missão é clara e urgente: tirar o clube gaúcho da 17ª colocação, onde se encontra atualmente com 41 pontos, a temida zona de rebaixamento.
A entrada de Abel Braga em campo, ou melhor, à beira do gramado, acontece em um momento crítico para o Internacional. A necessidade de garantir a permanência na Série A do campeonato nacional é absoluta, e a equipe não pode se dar ao luxo de depender de resultados alheios. Os dois próximos confrontos são, portanto, verdadeiras finais. O primeiro deles ocorre já nesta sexta-feira, dia 3, quando o time gaúcho enfrentará o São Paulo na Vila Belmiro. A rodada decisiva se completa no domingo, dia 7, com o Internacional recebendo o Red Bull Bragantino no emblemático estádio Beira-Rio. A pressão é imensa, e a expertise de um treinador com o calibre de Abel Braga é vista como o trunfo máximo para reverter a situação desfavorável.
É importante salientar que o técnico, em sua oitava passagem pelo clube, não receberá remuneração por seus serviços nesta empreitada. Trata-se de um ato de amor ao clube e de compromisso com a camisa colorada, buscando reverter um cenário que se mostra cada vez mais desafiador. Contudo, a notícia de sua permanência para o ano de 2026 já foi descartada. O foco, agora, está unicamente nas próximas 48 horas, onde cada lance, cada decisão em campo, será crucial para definir o futuro do Internacional na elite do futebol brasileiro. A torcida, ciente da gravidade da situação, deposita suas esperanças na liderança experiente de Abelão para garantir a salvação.
Um Retrospecto de Estreias que Gera Reflexão
Ao analisar as estatísticas recentes de Abel Braga em suas novas jornadas como treinador, o panorama das primeiras partidas de seus trabalhos apresenta um cenário que pode gerar certo receio entre os torcedores. O comandante, aos 73 anos, tem demonstrado dificuldades em embalar de forma positiva logo nos compromissos iniciais. Em sua última passagem pelo Fluminense, em 2022, a estreia não foi como o esperado, com uma derrota para o Bangu pelo placar mínimo. Embora tenha conseguido uma vitória subsequente contra o Madureira, também pelo placar de 1 a 0, o aproveitamento nas duas primeiras partidas ficou em 50%, um índice que, diante da atual conjuntura, pode não ser suficiente.
Não se trata de um caso isolado. Meses antes, em 2021, Abel Braga assumiu o comando do Lugano, da Suíça, e a experiência se repetiu. Sua estreia foi marcada por uma derrota, 2 a 0 para o Zurich. Assim como no Fluminense, a segunda partida trouxe uma vitória, desta vez contra o Servette pelo mesmo placar, resultando novamente em um aproveitamento de 50% nas duas primeiras rodadas. Esses números, embora apresentem vitórias, indicam uma certa dificuldade em consolidar um início avassalador, algo que o Internacional, na situação em que se encontra, necessita com urgência.
Histórico Recente no Internacional: Duas Derrotas Iniciais Agitam Memórias
Olhando especificamente para as passagens mais recentes de Abel Braga pelo Internacional, o retrospecto nas estreias é ainda mais preocupante e evoca lembranças de um período delicado para o clube. Na virada dos anos de 2020 para 2021, em uma campanha que gerou grandes expectativas e quase culminou com o título brasileiro, a sequência inicial de Abelão no Beira-Rio foi marcada por duas derrotas consecutivas, resultando em um aproveitamento de 0%. Ao assumir o posto em substituição a Eduardo Coudet, o Internacional sofreu um revés em casa contra o América-MG por 1 a 0 e, na sequência, foi derrotado pelo Santos na Vila Belmiro por 2 a 0.
Essa memória de um início difícil, marcado por resultados negativos, não é exclusiva dessa passagem. Meses antes, no início de 2020, ao comandar o Vasco da Gama, Abel Braga iniciou seu trabalho com um empate sem gols contra o Bangu. O segundo jogo, contra o arquirrival Flamengo, terminou com uma derrota por 1 a 0. Esse desempenho nas duas primeiras partidas resultou em um aproveitamento pífio de apenas 16%. Essa estatística, que se repetiu em outras experiências, como na sua rápida passagem pelo Cruzeiro em 2019, onde também obteve 16% de aproveitamento com uma derrota para o Goiás e um empate com o próprio Internacional, evidencia um padrão que o Internacional espera quebrar urgentemente.
A Melhor Performance Inicial: Um Sinal de Esperança na Trajetória Recente
Apesar do cenário geral que aponta para um início de trabalho com dificuldades para Abel Braga em suas passagens mais recentes, existe um ponto de luz que pode servir como inspiração para o Internacional neste momento crucial. No início de 2019, sua trajetória no Flamengo apresentou uma performance consideravelmente mais positiva em seus primeiros jogos. Sob seu comando, o Rubro-Negro venceu o Bangu por 2 a 1 e empatou com o Resende em 1 a 1. Este resultado lhe garantiu um aproveitamento de 66,6% nas duas partidas iniciais, sendo o desempenho mais encorajador em sua série de trabalhos mais recentes.
Essa estatística, embora isolada em um contexto de desafios, demonstra que Abel Braga possui a capacidade de liderar equipes a resultados positivos desde o princípio, quando as circunstâncias se mostram mais favoráveis. Para o Internacional, essa performance serve como um farol, uma evidência de que o técnico, com a estratégia e a motivação corretas, pode sim imprimir um ritmo de vitórias desde o primeiro minuto. A esperança é que a urgência da situação colorada, aliada à sua vasta experiência e à paixão pelo clube, possa catalisar um desempenho semelhante ao que demonstrou no Flamengo em 2019, garantindo os pontos necessários para a permanência na Série A.

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