A utilização de medicamentos para emagrecimento no departamento médico do São Paulo Futebol Clube gerou debates e questionamentos nos últimos dias. A discussão ganhou destaque após informações divulgadas sobre o possível uso de canetas com Mounjaro, um medicamento utilizado no tratamento de diabetes e obesidade, por parte de alguns atletas. O clube e o nutrólogo responsável, Eduardo Rauen, saíram em defesa da prática, esclarecendo que o uso foi criterioso, individualizado e realizado apenas em jogadores que não estavam em fase de jogo, visando a recuperação e tratamento de condições específicas.
Entenda o Contexto da Polêmica
A controvérsia surgiu em meio a uma temporada do São Paulo marcada por um número elevado de lesões, o que levantou suspeitas sobre a relação entre o uso do medicamento e o aumento de problemas físicos nos jogadores. A alegação era de que o Mounjaro poderia estar de alguma forma comprometendo o condicionamento físico dos atletas. No entanto, o clube e a equipe médica negam veementemente essa ligação, afirmando que o uso do medicamento foi feito de forma responsável e com acompanhamento médico adequado.
A Explicação do Nutrólogo Eduardo Rauen
Em entrevista ao Globo Esporte, o nutrólogo Eduardo Rauen, que acompanha o São Paulo desde o início de 2025, detalhou o uso do Mounjaro no clube. Ele esclareceu que apenas dois atletas receberam o medicamento durante um período de recuperação na fisioterapia. Ambos os jogadores estavam afastados dos gramados e o tratamento foi indicado para auxiliar na recuperação de dores articulares e no controle do Índice de Massa Corporal (IMC), que estava acima de 27,5. Rauen enfatizou que o uso do medicamento foi feito dentro de uma “janela terapêutica” de cerca de duas semanas, seguindo rigorosamente as orientações científicas e sem qualquer prejuízo ao condicionamento físico dos atletas.
O especialista ressaltou que o Mounjaro é um medicamento que pode trazer benefícios tanto para atletas quanto para pessoas em geral, quando utilizado de forma correta e sob supervisão médica. Ele defendeu que o tratamento foi conduzido com critério e responsabilidade, visando o bem-estar e a recuperação dos jogadores. A confidencialidade sobre os atletas que receberam o tratamento foi mantida por questões de privacidade.
Posicionamento Oficial do São Paulo Futebol Clube
O São Paulo emitiu uma nota oficial para esclarecer a situação e rebater as críticas sobre o uso do Mounjaro. O clube afirmou que os tratamentos médicos foram individualizados e indicados de forma pontual, após avaliações clínicas criteriosas, e não de maneira generalizada. A nota ressaltou que o medicamento é regularizado e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo fabricado por um laboratório renomado e respeitado mundialmente.
O clube também negou que o uso do Mounjaro tenha relação com o alto número de lesões na temporada, classificando essa alegação como “desonesta”. O São Paulo enfatizou que preza pela saúde de seus atletas em todas as categorias e busca a excelência profissional em todos os departamentos de saúde. A nota concluiu afirmando que qualquer conduta na área de saúde praticada por profissionais no clube é feita dentro das normas e regulamentações exigidas pela ética profissional e pela legislação vigente.
Mounjaro: O que é e como funciona?
O Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento injetável aprovado para o tratamento de diabetes tipo 2, mas que também tem demonstrado eficácia na perda de peso em pacientes com obesidade ou sobrepeso. Ele age imitando os efeitos de hormônios naturais que regulam o apetite e a glicemia, promovendo a saciedade e reduzindo a ingestão de alimentos. O medicamento tem sido utilizado em protocolos de emagrecimento supervisionados por médicos, mas seu uso off-label (fora da bula) para fins estéticos é controverso e requer acompanhamento médico rigoroso.
Implicações para o Futebol e a Saúde dos Atletas
O caso do São Paulo reacende o debate sobre o uso de medicamentos para emagrecimento e melhora de desempenho no futebol. Embora o uso de substâncias para fins terapêuticos seja permitido, é fundamental que seja feito de forma ética, responsável e com acompanhamento médico adequado. A saúde dos atletas deve ser sempre a prioridade, e o uso de medicamentos deve ser avaliado cuidadosamente, considerando os riscos e benefícios potenciais. A transparência e a comunicação clara entre clube, equipe médica e jogadores são essenciais para garantir a segurança e o bem-estar dos atletas.

Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







