Uma investigação interna no São Paulo Futebol Clube revelou gastos significativos realizados pelo ex-presidente Julio Casares utilizando o cartão corporativo da instituição. A apuração, conduzida pelo Conselho Fiscal, identificou um total de aproximadamente R$ 500 mil em despesas de natureza pessoal durante o período em que Casares esteve no cargo. A notícia gerou grande repercussão entre torcedores e membros do clube, levantando questionamentos sobre a gestão financeira e a utilização dos recursos do Tricolor, especialmente em um momento de dificuldades econômicas.
Detalhes da Investigação e os Gastos Revelados
O Conselho Fiscal do São Paulo iniciou a investigação após solicitar os extratos detalhados do cartão corporativo utilizado por Julio Casares durante sua gestão, que se estendeu de 2021 até o final de 2023. Surpreendentemente, a prestação de contas referente a este cartão nunca havia sido formalmente realizada ou solicitada por qualquer órgão interno do clube desde o início do mandato de Casares. Essa ausência de controle e fiscalização permitiu que os gastos pessoais do então presidente passassem despercebidos por um longo período.
Entre as despesas identificadas, destacam-se valores destinados a salões de beleza e lojas de marcas de luxo, o que intensificou a controvérsia em torno do caso. A revelação dos gastos ocorreu em um momento delicado para o clube, que enfrentou e ainda enfrenta desafios financeiros, incluindo atrasos no pagamento de salários e dificuldades para quitar os direitos de imagem dos jogadores. A situação paradoxal, em que o ex-presidente acumulava despesas pessoais enquanto o clube lutava para equilibrar suas finanças, gerou indignação e críticas.
A Devolução dos Valores e a Criação de Novas Políticas
Diante da pressão e da divulgação da investigação, Julio Casares optou por devolver o valor total gasto no cartão corporativo, acrescido de juros e correção monetária. No entanto, a devolução só ocorreu no segundo semestre do ano passado, após a identificação das irregularidades pelo Conselho Fiscal. A atitude de Casares, embora tenha sanado a questão financeira, não dissipou as críticas em relação à falta de transparência e à ausência de um controle mais rigoroso sobre os gastos.
A situação expôs a necessidade de aprimorar os processos internos do clube e estabelecer políticas claras para o uso do cartão corporativo. Em resposta, o departamento financeiro do São Paulo realizou ajustes nos procedimentos de acompanhamento da utilização do cartão, e o departamento de Compliance, liderado por Roberto Armelin, elaborou uma nova política de uso, que passou a vigorar recentemente. A nova diretriz visa evitar que situações semelhantes se repitam no futuro e garantir uma gestão mais responsável dos recursos do clube.
Reações Internas e a Discussão sobre Ética e Conduta
A falta de uma política de uso do cartão corporativo e a ausência de fiscalização e cobrança por parte do departamento financeiro, liderado por Sérgio Pimenta, desagradaram diversas alas do clube e do Conselho Deliberativo. A percepção é de que a falta de controle abriu espaço para desvios e comprometeu a imagem da instituição. No entanto, alguns membros do clube argumentam que o Código de Ética e Conduta já conteria orientações suficientes para garantir um uso consciente do cartão, tornando desnecessária a criação de uma política específica.
Em média, Julio Casares gastava cerca de R$ 8 mil por mês em despesas pessoais no cartão corporativo do clube desde que assumiu a presidência. A reportagem tentou contato com o ex-presidente para obter um posicionamento sobre o caso, mas não obteve resposta até o momento. Os diretores de Compliance e Jurídico, Roberto Armelin e Sérgio Pimenta, respectivamente, também foram procurados, mas apenas Armelin se manifestou por meio da assessoria de imprensa do clube.
Posicionamento Oficial do São Paulo Futebol Clube
Em nota oficial, o São Paulo Futebol Clube informou que o departamento financeiro detectou a necessidade de aprimorar o processo de acompanhamento da utilização do cartão corporativo e que, após o caso, solicitou ao departamento de Compliance a elaboração de uma nova política de uso. O clube ressaltou que os ajustes foram realizados e que o ex-presidente realizou o reembolso dos valores, com a adição de juros e correção monetária. A declaração busca demonstrar que o clube está tomando medidas para evitar que situações semelhantes ocorram no futuro e reforçar seu compromisso com a transparência e a responsabilidade na gestão financeira.
O caso envolvendo Julio Casares e os gastos no cartão corporativo reacende o debate sobre a importância da fiscalização e do controle interno nas instituições esportivas. A transparência na gestão financeira e a adoção de políticas claras de uso dos recursos são fundamentais para garantir a credibilidade e a confiança dos torcedores e membros do clube. A expectativa é que as medidas adotadas pelo São Paulo Futebol Clube contribuam para um ambiente de maior responsabilidade e ética na administração do clube.

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