A Seleção Brasileira enfrenta um desafio considerável na busca por laterais que combinem solidez defensiva com a tradicional capacidade ofensiva que sempre caracterizou a posição no futebol nacional. A ausência de nomes consolidados nas laterais, tanto na direita quanto na esquerda, levanta questionamentos a poucos meses da Copa do Mundo de 2026, um cenário incomum para um país com histórico tão rico em jogadores de alto nível para essas funções. A reformulação tática do futebol moderno e as mudanças na formação de atletas no Brasil e no exterior são apontadas como os principais fatores para essa escassez.
A Evolução Tática e o Impacto nas Laterais
Historicamente, o Brasil sempre se destacou pela valorização dos laterais como peças-chave no ataque. Nomes como Carlos Alberto Torres e Everaldo, campeões mundiais em 1970, Cafu e Roberto Carlos, heróis do pentacampeonato em 2002, e mais recentemente Daniel Alves e Marcelo, personificaram essa tradição. Esses jogadores não apenas defendiam com eficiência, mas também eram constantemente ativos no campo ofensivo, contribuindo com gols, assistências e jogadas de efeito. No entanto, o futebol contemporâneo tem passado por transformações significativas, com uma ênfase crescente na organização defensiva e na marcação compacta. Essa mudança de paradigma tem levado os treinadores a priorizar laterais com maior capacidade de contenção e menor propensão a riscos no ataque.
A Formação de Laterais no Brasil e a Influência Europeia
Um dos principais problemas identificados é a exportação precoce de jovens talentos para o futebol europeu. Enquanto no passado jogadores como Cafu chegavam à Europa já consolidados, com experiência em competições sul-americanas e títulos importantes, atualmente é comum que laterais deixem o Brasil ainda em fase de formação. Na Europa, esses atletas são submetidos a modelos de treinamento que priorizam o aspecto defensivo, moldando-os para atender às exigências do futebol local. Essa mudança de ambiente e metodologia pode comprometer o desenvolvimento das características ofensivas que os jogadores possuíam em sua formação inicial. Além disso, a própria formação de base no Brasil tem passado por transformações, com jogadores de perfil ofensivo sendo cada vez mais direcionados para posições de ponta, enquanto a função de lateral é vista como uma opção mais equilibrada e voltada para a contenção.
Ancelotti e a Busca por Soluções
Carlo Ancelotti, o atual técnico da Seleção Brasileira, tem se dedicado a testar diversas opções para as laterais, buscando encontrar jogadores que se encaixem em seu esquema tático e que possam suprir a falta de alternativas. Desde 2023, 19 laterais foram convocados, mas nenhum deles conseguiu se firmar como titular absoluto. A falta de continuidade e a ausência de um jogador que se destaque consistentemente demonstram a dificuldade em encontrar um substituto à altura dos grandes laterais do passado. Ancelotti tem até mesmo considerado a possibilidade de adaptar jogadores de outras posições, como Éder Militão, para atuarem como laterais, visando dar mais solidez defensiva à equipe. Essa estratégia, no entanto, pode comprometer o potencial ofensivo da equipe, já que Militão não possui a mesma vocação para o ataque que os laterais tradicionais.
A Importância da Paciência e da Adaptação
Diante desse cenário, a paciência e a adaptação se tornam fundamentais. Cafu, um dos maiores laterais da história do futebol brasileiro, defende a necessidade de dar tempo para que os jogadores se desenvolvam e se adaptem ao estilo de jogo da Seleção. Ele ressalta que o futebol está em constante evolução e que é preciso estar aberto a novas ideias e abordagens. No entanto, a busca por soluções não pode ser negligenciada. É preciso investir na formação de jovens talentos, incentivando o desenvolvimento de suas características ofensivas e proporcionando-lhes oportunidades para se destacarem no cenário nacional e internacional. Além disso, é importante acompanhar de perto o desempenho dos laterais que atuam no exterior, buscando identificar aqueles que possuem o perfil desejado para a Seleção Brasileira.
O Legado dos Laterais Ofensivos e o Desafio do Futuro
O legado dos laterais ofensivos no futebol brasileiro é inegável. Jogadores como Carlos Alberto, Cafu e Roberto Carlos não apenas conquistaram títulos importantes, mas também encantaram o mundo com seu talento, ousadia e protagonismo. O desafio atual é encontrar novos laterais que possam honrar essa tradição e que possam contribuir para o sucesso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 e em futuras competições. A busca por soluções exige um esforço conjunto de treinadores, clubes, jogadores e torcedores, visando resgatar a excelência da posição e garantir que o Brasil continue sendo um celeiro de grandes laterais.

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