O América-MG vive um momento de definição em relação ao futuro de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão do clube, detalhou em coletiva de imprensa os motivos que levaram ao impasse nas negociações com um grupo de investidores, liderado por Vinícius Diniz, da GPA Capital. A proposta, que envolvia um aporte significativo de recursos, acabou não sendo aceita devido a divergências em relação às condições do acordo, especialmente no que diz respeito à garantia de investimentos e ao controle sobre os ativos do clube.
Proposta Bilionária e as Dívidas do Coelho
A oferta apresentada ao América-MG previa um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão em troca de 80% das ações da SAF, com os 20% restantes permanecendo sob controle da associação. Uma parte considerável desse montante, cerca de R$ 187 milhões, seria destinada à quitação de dívidas existentes, tanto da associação quanto da própria SAF. Os R$ 800 milhões restantes seriam distribuídos ao longo de dez anos para o fortalecimento do departamento de futebol, com correção anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Além do aporte financeiro, o grupo investidor assumiria o controle do futebol profissional e a gestão do Centro de Treinamento Lanna Drumond.
O Ponto de Discórdia: Investimento Garantido e Projeto Esportivo
Apesar da proposta aparentemente vantajosa, Marcus Salum expressou insatisfação com a falta de garantias de investimento a longo prazo. O dirigente ressaltou que a proposta inicial não incluía um valor mínimo anual de investimento, o que gerou preocupação em relação à sustentabilidade financeira do clube. Salum também criticou a ausência de um projeto esportivo claro e detalhado, alegando que a proposta se concentrava mais em oportunidades imobiliárias do que no desenvolvimento do futebol. A falta de um compromisso firme com o investimento contínuo no futebol foi um dos principais obstáculos para a concretização do acordo.
Preocupações com a Due Diligence e a Imobilidade de Ativos
Outro ponto crítico levantado por Marcus Salum foi o longo período de avaliação (due diligence) e a restrição à movimentação de ativos do clube durante esse período. O Memorando de Entendimento (MoU) proposto estabelecia um prazo de 15 dias para a entrega de documentos, seguido por 45 dias de due diligence e mais 90 dias para a decisão final sobre o investimento. Durante esses 150 dias, o América-MG estaria impedido de vender jogadores ou realizar qualquer tipo de negociação, dependendo da aprovação do investidor para liberar os recursos. Salum argumentou que essa condição inviabilizaria a gestão financeira do clube, especialmente diante da necessidade de quitar dívidas e manter as operações em dia.
A Venda do CT Lanna Drumond e a Falta de Transparência
A possibilidade de venda do Centro de Treinamento Lanna Drumond também gerou controvérsia. O investidor teria a liberdade de alienar o CT, desde que construísse outro em outro local, sem a necessidade de autorização prévia do América-MG. Salum considerou essa cláusula inaceitável, pois colocaria em risco um dos principais ativos do clube. Além disso, o dirigente questionou a falta de transparência em relação à identidade do investidor principal, Elias Webber, cujo capital social da empresa é relativamente baixo, levantando dúvidas sobre a capacidade real de investimento do grupo.
O Fim das Negociações e o Futuro da SAF
As negociações com a GPA Capital foram oficialmente encerradas por meio de um e-mail enviado pelo grupo ao América-MG. Salum lamentou a forma como as tratativas foram interrompidas, mas reafirmou que o clube está aberto a novas propostas para a venda da SAF, seja de forma parcial ou total. O dirigente enfatizou que o América-MG é um clube com grande potencial e que buscará um sócio estratégico que compartilhe dos mesmos objetivos e valores, visando o desenvolvimento sustentável do futebol e a conquista de resultados esportivos.
O América-MG segue buscando investidores para sua SAF, com o objetivo de fortalecer sua estrutura financeira e competitividade no cenário nacional. A diretoria se mostra cautelosa e criteriosa na análise das propostas, buscando um parceiro que esteja comprometido com o crescimento do clube a longo prazo.

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