O Botafogo se prepara para um dos maiores desafios da sua campanha na Copa Libertadores da América de 2026: encarar o Nacional Potosí em território boliviano, a impressionantes 4.000 metros de altitude. A partida representa um teste físico e mental para o time carioca, que busca superar o histórico desfavorável de equipes brasileiras em jogos disputados em grandes alturas. A estratégia alvinegra, liderada pelo técnico Martín Anselmi, envolve uma preparação diferenciada, com adaptação gradual de alguns atletas e uma abordagem específica para minimizar os efeitos da rarefação do ar.
O Desafio da Altitude na Libertadores
A altitude sempre foi um fator determinante nas competições sul-americanas, especialmente na Copa Libertadores. A menor concentração de oxigênio no ar exige um esforço maior dos atletas, impactando o rendimento físico e a capacidade de recuperação. Historicamente, equipes brasileiras enfrentam dificuldades em jogos disputados na Bolívia e no Equador, onde a altitude é um obstáculo significativo. O Botafogo, que já sentiu o peso da altitude em 2025 ao ser eliminado pela LDU em Quito, busca aprender com o passado e se preparar da melhor forma possível para o confronto com o Nacional Potosí.
A Experiência do Botafogo em Quito e a Lição Aprendida
A eliminação para a LDU nas oitavas de final da Libertadores de 2025 ainda ecoa nos bastidores do Botafogo. Apesar da vitória por 1 a 0 no jogo de ida, em casa, o time carioca não conseguiu manter a vantagem em Quito, onde foi derrotado por 2 a 0. A altitude de 2.850 metros já representou um desafio considerável, e a experiência serviu como um alerta para a importância de uma preparação adequada. Os gols de Vllamil e Alzugaray selaram a classificação da LDU e evidenciaram a dificuldade de jogar em condições adversas.
A Estratégia de Martín Anselmi para Superar a Altitude
Ciente dos desafios impostos pela altitude, o técnico Martín Anselmi implementou um planejamento específico para o confronto com o Nacional Potosí. O treinador, que possui experiência em trabalhar com equipes em altitude por ter comandado o Independiente del Valle, de Quito, sabe que a adaptação gradual é fundamental. Para isso, alguns jovens atletas do elenco foram enviados para a Bolívia quase uma semana antes da partida, visando facilitar a aclimatação. A utilização de bolas de vôlei nos treinos também faz parte da estratégia, com o objetivo de simular a menor resistência do ar e preparar os jogadores para as condições locais. A delegação principal viajou posteriormente, buscando minimizar o tempo de exposição à altitude e reduzir o impacto no desempenho.
O Histórico Desfavorável do Futebol Brasileiro em Altitude
O Botafogo enfrenta um histórico desfavorável quando o assunto é jogar em altitude. Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza e Paraná não conseguiram superar o Real Potosí e o Nacional Potosí em confrontos válidos pela Libertadores e pela Sul-Americana. Apenas o Palmeiras, em 2009, conseguiu vencer o Real Potosí na Bolívia, um feito que serve de inspiração para o time carioca. A dificuldade de adaptação, a menor oxigenação e o desgaste físico são fatores que contribuem para o baixo rendimento das equipes brasileiras em jogos disputados em grandes alturas. O Botafogo busca quebrar essa barreira e mostrar que é possível vencer em Potosí.
A Importância da Adaptação e do Preparo Físico
A adaptação à altitude é um processo complexo que envolve diversas mudanças fisiológicas no organismo. O corpo precisa aumentar a produção de glóbulos vermelhos para transportar mais oxigênio, o que leva tempo e exige um esforço adicional. Estudos indicam que cinco dias na altitude podem ser suficientes para iniciar a adaptação, mas o tempo ideal varia de acordo com as características individuais de cada atleta. Além da adaptação, o preparo físico é fundamental para suportar o desgaste imposto pela rarefação do ar. O Botafogo investiu em um programa de treinamento específico, com foco na resistência cardiovascular e na capacidade de recuperação, visando garantir que os jogadores estejam em condições ideais para enfrentar o desafio em Potosí. A combinação de adaptação, preparo físico e estratégia tática será crucial para o sucesso do Botafogo na Libertadores.

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