A Seleção Brasileira, detentora de um histórico glorioso no futebol mundial com cinco títulos da Copa do Mundo, enfrenta um período de reflexão e análise após anos de frustração em busca do hexacampeonato. A última conquista data de 2002, e desde então, a equipe tem consistentemente tropeçado em confrontos decisivos contra seleções europeias, revelando padrões preocupantes que precisam ser abordados para que o Brasil volte a ser protagonista no cenário global. A preparação para a Copa do Mundo de 2026 exige uma avaliação honesta dos erros passados e a implementação de estratégias eficazes para superar os desafios que se apresentam.
A Crise de Continuidade e a Instabilidade nos Bastidores
Um dos principais obstáculos enfrentados pela Seleção Brasileira em ciclos de Copa do Mundo é a notória instabilidade em sua gestão. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem demonstrado dificuldades em manter um projeto de longo prazo, com frequentes mudanças no comando técnico e administrativo. Após a decepcionante eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, a crise se aprofundou, desencadeando um período de incertezas e busca por um novo técnico.
A saga para encontrar um substituto para Tite foi marcada por idas e vindas, com a priorização de Carlo Ancelotti, que na época estava comprometido com o Real Madrid. A falta de um plano B e a demora na definição do novo treinador resultaram em soluções paliativas, como as passagens interinas de Ramon Menezes e Fernando Diniz, que não conseguiram imprimir a evolução esperada na equipe. A contratação de Dorival Júnior, embora promissora, também foi breve, evidenciando a instabilidade que assola a CBF. A finalmente concretização do sonho de trazer Ancelotti para o comando técnico em maio de 2025, após longas negociações, demonstra a dificuldade da entidade em manter a consistência em seus projetos.
Essa instabilidade se estende à presidência da CBF, com trocas de comando que geram descontinuidade e dificultam a implementação de políticas de longo prazo. A recente saída de Ednaldo Rodrigues e a chegada de Samir Xaud ilustram essa turbulência, que afeta diretamente o desempenho da Seleção Brasileira em campo.
A Urgência de Enfrentar as Potências Europeias
Outro ponto crítico identificado na análise do desempenho da Seleção Brasileira é a falta de confrontos regulares contra as principais seleções europeias. Devido às diferenças nos calendários de jogos entre os continentes, o Brasil tem enfrentado com menor frequência equipes como Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Portugal e Holanda. Essa escassez de jogos de alto nível dificulta a preparação da equipe para os desafios que encontrará em uma Copa do Mundo, onde o confronto com seleções europeias é quase inevitável.
O histórico recente da Seleção Brasileira em Copas do Mundo confirma essa tendência. Nas últimas cinco edições do torneio, o Brasil foi eliminado em todas as ocasiões por seleções europeias: França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018) e Croácia (2022). Essa sequência de derrotas evidencia a necessidade de aprimorar a preparação da equipe para enfrentar o estilo de jogo e a organização tática das seleções do velho continente.
Durante a era Tite, o Brasil obteve grande sucesso nas Eliminatórias Sul-Americanas e em amistosos contra equipes da América do Sul, mas a falta de testes contra europeus se tornou um problema constante. A Seleção Brasileira precisa buscar oportunidades de enfrentar as potências europeias em amistosos e torneios preparatórios para a Copa do Mundo, a fim de aprimorar sua capacidade de competir em alto nível.
O Desafio de Superar a “Neymardependência”
Apesar do talento inegável de Neymar, a Seleção Brasileira tem sofrido com uma dependência excessiva do craque nos últimos anos. Embora seja um jogador fundamental, a equipe tem demonstrado dificuldades em obter resultados positivos quando ele está ausente, revelando uma falta de alternativas e de outros protagonistas capazes de assumir a responsabilidade em momentos decisivos.
A Copa América de 2019, quando o Brasil conquistou o título com um desempenho coletivo consistente, é um exemplo raro de sucesso sem Neymar. No entanto, no geral, a equipe sente muito a falta do camisa 10 e perde força quando ele não está em campo. A lesão grave sofrida por Neymar em outubro de 2023 e o longo período de recuperação evidenciaram essa dependência, com a Seleção Brasileira apresentando um desempenho irregular nas Eliminatórias Sul-Americanas.
A falta de protagonismo de outros jogadores, como Vinícius Júnior, Rodrygo e Raphinha, também é um problema a ser resolvido. Esses atletas, que se destacam em seus clubes europeus, ainda não conseguiram replicar o mesmo desempenho na Seleção Brasileira, seja por questões táticas, de adaptação ou de confiança. É fundamental que a comissão técnica trabalhe para desenvolver o potencial desses jogadores e criar um ambiente em que eles se sintam à vontade para expressar seu talento.
A superação da “Neymardependência” é um desafio crucial para a Seleção Brasileira. É preciso construir uma equipe mais equilibrada e com mais opções de ataque, capaz de competir em alto nível mesmo na ausência de seu principal craque. A diversificação de responsabilidades e o desenvolvimento de outros protagonistas são fundamentais para que o Brasil volte a ser uma força dominante no futebol mundial.

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