O Cuiabá enfrenta um período de instabilidade sob o comando do técnico Eduardo Barros, somando eliminações recentes e dificuldades em impor seu estilo de jogo. Após quase sete meses à frente da equipe, o treinador busca soluções para transformar o potencial do elenco em resultados consistentes, especialmente com um grupo marcado pela juventude e renovação.
Desempenho Recente e Desafios Táticos
A trajetória recente do Cuiabá tem sido marcada por tropeços em momentos decisivos. A eliminação nas quartas de final do Campeonato Mato-grossense para o Sport Sinop e a derrota na Copa do Brasil para o Santa Catarina evidenciam a dificuldade em converter o bom desempenho em vitórias. Um dos principais problemas identificados é a ausência de vitórias fora de casa, um padrão que já existia antes da chegada de Barros. A derrota para o Várzea Grande, lanterna da competição, em pleno Arena Pantanal, também expôs as fragilidades da equipe, que necessitava de um triunfo para garantir a classificação direta para a semifinal do estadual.
Renovação do Elenco e Período de Adaptação
A diretoria do Cuiabá apostou em uma ampla renovação do elenco, com a contratação de 12 novos jogadores em 2026, sendo oito após o término do Campeonato Mato-grossense. Sete desses reforços já estrearam na partida contra o Santa Catarina. Apesar da injeção de novos talentos, a equipe enfrentou um período de adaptação, com apenas 20 dias de preparação entre a eliminação no estadual e o duelo na Copa do Brasil. A diretoria, no entanto, demonstra confiança no trabalho de Barros, ressaltando a juventude do elenco e a necessidade de paciência para colher os frutos do investimento a longo prazo. O Cuiabá possuía a menor média de idade entre todos os participantes do Campeonato Mato-grossense de 2026, o que reforça a ideia de um projeto em construção.
Análise Tática: O 3-4-3 e suas Dificuldades
Eduardo Barros tem apostado no esquema tático 3-4-3, que exige grande intensidade dos alas. No entanto, jogadores experientes como Nino Paraíba (40 anos) e Marlon (31 anos) têm encontrado dificuldades em cumprir as demandas físicas da posição, precisando percorrer longas distâncias para apoiar o ataque e recompor a defesa. Sem a posse de bola, a equipe se organiza em um 5-2-3, o que sobrecarrega Calebe, o terceiro zagueiro, que por vezes precisa marcar dois jogadores simultaneamente. Essa configuração tática tem deixado a defesa vulnerável, especialmente quando o adversário inverte a jogada, como demonstrado em alguns lances durante a partida contra o Santa Catarina.
Meio-Campo e a Busca por Equilíbrio
O meio-campo do Cuiabá tem enfrentado dificuldades na saída de bola, com apenas dois jogadores (Pepê e Raul) atuando no setor central. A equipe tem ficado frequentemente sob pressão nessa fase do jogo, com o Santa Catarina explorando a última linha de cinco defensores. Os atacantes auriverdes, por sua vez, não têm acompanhado os laterais adversários, deixando o meio de campo exposto. Apesar das dificuldades, Raul tem conseguido acelerar o jogo em algumas ações ofensivas, enquanto Pepê, em sua primeira partida na temporada, demonstrou bom toque de bola e contribuiu para a circulação da equipe. A possível alteração para um esquema 4-3-3, com a entrada de Matheus Santos, poderia trazer mais equilíbrio ao meio-campo e oferecer maior proteção aos laterais.
Oportunidades Perdidas e o Futuro Próximo
No ataque, Rodrigo Rodrigues e Vinicius Peixoto têm demonstrado bom entrosamento, alternando movimentos e participando da construção das jogadas. O gol de Vinicius Peixoto, de cabeça, foi o resultado de uma bela jogada com 23 passes e 1 minuto e 20 segundos de posse de bola. No entanto, a equipe tem criado poucas oportunidades e desperdiçado as chances que surgem. Estatisticamente, o Santa Catarina dominou a partida em posse de bola e finalizações (17 chutes contra 8, 8 finalizações no gol contra 4 e 58% de posse de bola contra 42%). A equipe da casa adotou uma postura mais física, cometendo mais faltas, enquanto o goleiro João Carlos se destacou com importantes defesas, incluindo uma à queima-roupa nos minutos finais. A derrota nos pênaltis, mais uma vez, frustrou as esperanças do Cuiabá, que já havia perdido disputas semelhantes contra Primavera, Porto Velho e Santa Catarina. Agora, Eduardo Barros terá cerca de duas semanas para preparar a equipe para a estreia na Série B do Campeonato Brasileiro contra o Sport, buscando uma mudança de formação e a correção de falhas para iniciar a competição nacional com o pé direito.

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