A iminência do confronto entre Flamengo e Remo, marcado para esta quinta-feira no Maracanã, reacende memórias para Hernane Brocador, um nome gravado na história do clube carioca. Para a torcida rubro-negra, evocar Hernane é instantaneamente lembrar dos três gols marcados contra o Botafogo na semifinal da Copa do Brasil de 2013. No entanto, poucos se recordam de um feito anterior, um *hat-trick* igualmente importante, protagonizado no último encontro entre Flamengo e Remo antes do duelo desta noite.
O Hat-Trick Esquecido Contra o Remo
Em 2013, o Flamengo passava por um período de reestruturação financeira e enfrentava dificuldades em campo. A equipe carioca encarou o Remo na primeira fase da Copa do Brasil, vencendo o jogo de ida no Mangueirão por 1 a 0. O regulamento da época exigia uma partida de volta, mesmo com a vantagem conquistada. Foi no dia 17 de abril de 2013, no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, que Hernane brilhou intensamente, marcando os três gols da vitória rubro-negra por 3 a 0.
Hernane recorda com entusiasmo daquele jogo: “Lembro com certeza. Aquele foi o primeiro *hat-trick* na Copa do Brasil. No jogo de ida foi 1 a 0, um gol polêmico, meio meu e meio do Rafinha (risos). Ele fica bravo, mas realmente a bola resvalou no meu joelho, tanto que ela muda a direção. Mas eu deixei o gol para ele (risos)”. Ele descreve a atmosfera no estádio: “No jogo da volta em Volta Redonda, a torcida pegando no pé, cobrando porque o gol não saia, vaiando um pouco… A torcida de Volta Redonda é bem exigente. Mas no final acabou tudo certo, consegui fazer três gols e terminou com o ‘ão, ão, ão, Hernane é Seleção’ (risos).”
A Paixão Rubro-Negra e a Torcida pelo Flamengo
Mesmo não estando mais em campo, Hernane mantém uma forte ligação com o Flamengo. Ele acompanhou de perto a trajetória do clube, inclusive presenciando a conquista do título brasileiro de 2022 no Maracanã. A experiência de estar novamente perto da torcida reacendeu a emoção de seus tempos como jogador. “O que eu mais sinto saudade é da torcida gritar meu nome. Quando chego lá (no Maracanã), chego quietinho, sento no camarote, começo a assistir ao jogo, poucas pessoas me veem. Mas quando dá intervalo, que é a hora das pessoas irem tomar alguma coisa ou irem ao banheiro, aí um passa, pede uma foto, daqui a pouco vai outro, outro, outro… Começa aquela loucura: ‘Hernane, você é ídolo. Faz parte de tudo que o Flamengo está vivendo hoje porque na sua época foi onde tudo começou'”, relata o ex-atacante.
Hernane reconhece o impacto que teve no clube, mesmo em um período relativamente curto: “Sei que passei, marquei, fiz um bom trabalho vestindo a camisa do Flamengo em tão pouco tempo. Tive dois anos no clube, mas só joguei um ano e meio. Tive as lesões que atrapalharam. Logo na chegada, em 2012, foi um ano um pouco difícil, Flamengo ainda atrasava salário, eu joguei poucas partidas. Tinha Liedson, Vagner Love, o Deivid que estava quase afastado… Eu sabia que teria que esperar pela oportunidade. Quando ela chegou, abracei e tive um ano e meio para apresentar um bom futebol.”
O Futuro como Treinador e a Inspiração em Filipe Luís
Aos 39 anos, Hernane ainda atua profissionalmente pelo Nacional-AM, onde é capitão e busca o título do Campeonato Amazonense. No entanto, ele já planeja o futuro fora dos gramados, vislumbrando uma carreira como treinador. Ele já obteve a licença B da CBF e pretende conquistar a licença A no segundo semestre. “Isso aí é uma incógnita (Hernane treinador), né? (Risos) Mas já tirei minha licença B, temos que estar prontos. Sair do meio do futebol eu não vou conseguir porque foram 20 anos fazendo isso. Mas eu quero me preparar, se de repente surgir uma oportunidade, quem sabe um interino, até pegar mais experiência… O futuro a Deus pertence. Quem sabe não terá uma nova geração de treinadores? Daqui a pouco os mais velhos vão ter que parar, vai chegar a época, e vão precisar de novos. Quem sabe a gente não faz parte dessa nova leva de treinadores aí?”, questiona.
O sucesso de Filipe Luís em seus primeiros passos como treinador no Flamengo serve de inspiração para Hernane e outros jogadores que buscam uma nova jornada no futebol. “Ele foi uma prova viva. Tem vários e vários jogadores fazendo isso, parando de jogar, tirando as licenças e ficando prontos. Precisa descansar um pouco também porque futebol suga bastante. Você vê que o Fred parou, fez as licenças e agora voltou a atuar. O Thiago Neves, o Ramon e outros. Podem ter certeza que com o Hernane vai ser igual. Quero tirar minhas licenças, descansar, desligar um pouco do futebol, e depois voltar a todo vapor.”
A Torcida por Pedro e o Legado no Flamengo
Para o jogo desta quinta-feira, Hernane torce por um novo *hat-trick*, desta vez protagonizado por Pedro, atacante do Flamengo. “Eu, particularmente, torço muito pelo Pedro. Acho ele um excelente centroavante, gosto muito do estilo de jogo dele, tem faro de gol. Espero que ele ou o Arrasca, jogadores que vivem bom momento no Flamengo. E o Pedro, se não me engano, está a dois gols de passar o Gabi. Então que ele possa fazer esse *hat-trick* aí e faça história no Mengão”, afirma. Ele ainda ressalta as qualidades do atacante: “Tem sim (semelhanças com Brocador). Tem, mas o Pedro é muito mais habilidoso. Ele é um jogador que dentro da área desenrola muito bem. Jogador que finaliza bem com as duas pernas, cabeceio, tem um domínio de bola muito afiado… Eu queria vê-lo na Copa (do Mundo), não sei se vai ser possível. Espero que ele possa ter oportunidade de estar lá.”
O legado de Hernane Brocador no Flamengo permanece vivo na memória da torcida, e sua paixão pelo clube continua inabalável. A história do *hat-trick* contra o Remo, embora muitas vezes esquecido, é um capítulo importante dessa trajetória vitoriosa e emocionante.
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Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







