Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo revelou detalhes de um esquema de venda ilegal de camarotes no Estádio do Morumbi, envolvendo ex-dirigentes do clube. O relatório aponta para a existência de uma associação criminosa profissionalizada, com divisão de lucros predefinida entre os participantes, que operou por quase dois anos, desde março de 2023 até fevereiro de 2025. A investigação ganhou destaque após a divulgação de um áudio comprometedor e a descoberta de um caderno com anotações que detalham a operação e a participação de figuras-chave na administração do clube.
O Núcleo da Associação Criminosa
De acordo com o relatório do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), Rita de Cássia Adriana Prado, Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Marcio Carlomagno integravam uma “associação criminosa profissionalizada”. As anotações encontradas em um caderno apreendido pela polícia descrevem uma divisão de 25% dos lucros para cada um dos envolvidos, indicando um acordo formalizado para a exploração dos camarotes. A investigação destaca que o esquema não se limitou a um evento isolado, mas se estendeu por diversos shows realizados no Morumbi, incluindo apresentações de artistas internacionais como Coldplay e Shakira.
O Papel de Marcio Carlomagno
O ex-superintendente geral do São Paulo, Marcio Carlomagno, teve sua participação no esquema confirmada pela Polícia Civil. Inicialmente citado por Douglas Schwartzmann como o responsável por ceder o espaço para Mara Casares, Carlomagno agora é considerado um membro central da associação criminosa. O relatório policial enfatiza que o caderno apreendido é a prova crucial que conecta Carlomagno à operação, demonstrando sua influência e envolvimento direto na exploração dos camarotes. Apesar das acusações, a defesa de Carlomagno nega qualquer relação com a comercialização ilegal de ingressos.
Detalhes Reveladores do Caderno
O caderno encontrado na residência de Rita de Cássia Adriana Prado se tornou uma peça fundamental na investigação. As anotações detalham a linha do tempo do esquema, com a frase “todos s/ problemas até fevereiro de 2025” indicando a confiança dos envolvidos na impunidade. Além disso, o caderno revela a divisão de tarefas e responsabilidades dentro da associação criminosa, com Adriana Prado atuando como a “operadora logística e financeira”, responsável pela revenda dos ingressos e divisão dos lucros. As anotações também mencionam a importância de Carlomagno, referindo-se a ele como “vice-presidente”, apesar de seu cargo oficial ser o de superintendente geral.
Confissões e Estratégias de Defesa
As anotações de Adriana Prado contêm passagens que sugerem a admissão de corrupção, com perguntas como “corrupção é só da parte deles?” e “o que pode respingar em mim?”. A investigada também demonstra o desejo de se afastar do esquema e retornar ao São Paulo de forma legal, indicando a consciência da ilegalidade de suas ações. A polícia interpretou a tentativa de Adriana de elaborar uma “tese da ignorância”, que posteriormente foi riscada, como uma confissão implícita de sua participação no esquema. A defesa de Adriana Prado, por sua vez, argumenta que as anotações devem ser analisadas com cautela, pois fazem parte de uma investigação em andamento e não possuem força probatória definitiva.
O Desfecho e as Investigações em Curso
O esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbi veio à tona em dezembro do ano passado, após a divulgação de um áudio que envolvia Douglas Schwartzmann e Mara Casares. Todos os envolvidos no caso deixaram o São Paulo, com Mara e Douglas renunciando aos seus cargos e Marcio Carlomagno sendo demitido após o impeachment e a renúncia de Julio Casares. O Ministério Público e a Polícia Civil se uniram em uma força-tarefa para investigar o caso, e as investigações continuam em andamento. A polícia acredita que o esquema pode ter se estendido por um período ainda maior do que o inicialmente apurado, e está ouvindo testemunhas e analisando documentos para esclarecer todos os detalhes da operação. A expectativa é que a investigação resulte em denúncias formais contra os envolvidos, com o objetivo de responsabilizá-los pelos crimes cometidos e recuperar os recursos desviados do clube.
A situação expõe sérios problemas de gestão e controle interno no São Paulo Futebol Clube, levantando questionamentos sobre a fiscalização dos camarotes e a transparência nas operações financeiras do clube. O caso serve como um alerta para outras instituições esportivas, reforçando a importância de medidas preventivas para evitar a ocorrência de fraudes e desvios de recursos.

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