A negociação para a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Club de Regatas Vasco da Gama avança com o grupo liderado por Marcos Lamacchia buscando alinhamento prévio com a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O objetivo é garantir que a estrutura da empresa que adquirirá a SAF esteja em total conformidade com o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) antes da conclusão da transação, prevista para 2026. Essa movimentação estratégica demonstra o compromisso do grupo em operar dentro das normas estabelecidas e evitar possíveis entraves futuros.
A Busca por Conformidade com o Fair Play Financeiro
A preocupação em atender aos requisitos do SSF é central na estratégia do grupo de Marcos Lamacchia. A agência reguladora tem um papel fundamental na análise de qualquer mudança societária no Vasco, e a aprovação da ANRESF é crucial para a efetivação da venda da SAF. O grupo busca, portanto, antecipar-se a possíveis questionamentos e apresentar uma estrutura que minimize riscos de não conformidade. A legislação vigente, em particular o artigo 86 do SSF, veda a detenção de controle ou influência significativa sobre mais de um clube por uma mesma pessoa física ou jurídica, o que exige uma análise cuidadosa da composição societária proposta.
Os Desafios da Influência Cruzada e a Proximidade com a Crefisa
Um dos principais desafios a serem superados é a relação de Marcos Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras e proprietária da Crefisa. As regras do SSF consideram, para fins de apuração de controle ou influência, as participações de parentes até o segundo grau, o que inclui a relação de enteio entre Marcos e Leila. Essa proximidade levanta a possibilidade de conflito de interesses e exige uma estruturação que garanta a independência entre os clubes. A ANRESF já sinalizou que fará uma análise rigorosa para verificar se a venda da SAF do Vasco se enquadra nas normas do fair play financeiro, buscando evitar qualquer comprometimento da integridade da competição.
Soluções em Estudo: O Uso do “Blind Trust”
Para contornar as restrições impostas pelas regras do SSF, o grupo de Marcos Lamacchia estuda a utilização de um “blind trust”, um mecanismo em que um fundo controla os ativos sem que o proprietário tenha conhecimento ou influência sobre eles. Essa formatação permitiria dissociar a participação de Marcos Lamacchia da influência de Leila Pereira, garantindo a conformidade com a legislação. O “blind trust” teria um período de tempo definido, possivelmente até o término do último mandato de Leila Pereira na presidência do Palmeiras, em dezembro de 2027. Essa solução demonstra a disposição do grupo em encontrar alternativas criativas para viabilizar a venda da SAF do Vasco.
A Reação da ANRESF e a Análise Rigorosa
A aproximação do grupo de Marcos Lamacchia com a ANRESF foi vista como positiva pela agência reguladora, indicando uma postura proativa em buscar soluções para os desafios apresentados. O presidente da ANRESF, Caio Resende, já afirmou que a agência fará uma “análise rigorosa” caso a venda seja concluída, avaliando a estrutura societária e o poder decisório de cada participante. A análise se estenderá à identificação de fundos e participações indiretas, buscando determinar se há potencial de comprometimento da integridade da competição. A ANRESF se mostra atenta à complexidade das estruturas societárias dos multiclubes e se prepara para uma análise aprofundada do caso Vasco.
Próximos Passos e Expectativas para 2026
A expectativa é que, nos próximos meses, ocorra uma reunião formal entre representantes do grupo de Marcos Lamacchia e da ANRESF para discutir os detalhes da estrutura societária proposta. O objetivo é obter o aval da agência reguladora antes de avançar com a negociação. O presidente do Vasco, Pedrinho, reafirmou o compromisso de concluir a venda da SAF ainda em 2026, o que demonstra a urgência em encontrar uma solução que atenda aos requisitos legais e garanta a sustentabilidade financeira do clube. A venda da SAF do Vasco representa um passo importante para a modernização da gestão do clube e a busca por novas fontes de receita, mas a conformidade com as regras do fair play financeiro é fundamental para o sucesso da transação.

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