O Carnaval do Rio de Janeiro, conhecido mundialmente como a maior festa popular do planeta, está prestes a incendiar a Sapucaí com seus desfiles grandiosos. Em meio à expectativa e à preparação das escolas de samba, uma conexão especial se destaca: a forte ligação entre o Fluminense Football Club e essa celebração icônica. A paixão pelo Tricolor Carioca transcende os gramados e se manifesta nas cores, na história e nas homenagens presentes em diversas agremiações que desfilam na avenida. Este artigo explora as raízes dessa relação, revelando curiosidades e momentos memoráveis que unem o clube e o Carnaval.
A Mangueira e a Herança de Cartola
A ligação mais emblemática entre o Fluminense e o Carnaval reside na figura de Angenor de Oliveira, o lendário Cartola, um dos maiores sambistas da história do Brasil e um fervoroso torcedor do Tricolor. Cartola foi um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, escola de samba que carrega as cores verde e rosa, as mesmas que inspiraram a criação de um uniforme especial do Fluminense em 2023. A camisa, que rapidamente se tornou um sucesso entre os torcedores, exibia um patch com a imagem do sambista e trechos da sua canção “Corra e Olhe o Céu”, uma homenagem à genialidade de Cartola e à sua paixão pelo Fluminense.
Segundo relatos do filho de Cartola, Ronaldo Silva de Oliveira, o desejo do pai era que a Mangueira fosse fundada com as cores do seu time do coração. No entanto, a dificuldade em encontrar o tecido grená, cor tradicional do Fluminense, na época, levou à escolha do rosa como substituto, resultando na combinação icônica verde e rosa que caracteriza a escola de samba. A história de Cartola e da Mangueira é um testemunho da profunda identificação entre o Fluminense e a cultura carioca, demonstrando como o futebol e o samba se entrelaçam na alma da cidade.
Fluminenses na Avenida: Jogadores e Funcionários em Desfile
A presença do Fluminense no Carnaval não se limita a homenagens e cores. Em 1986, um grupo de jogadores e funcionários do clube protagonizou um momento histórico ao desfilar pela Beija-Flor de Nilópolis. O enredo da escola, “O Mundo é uma Bola”, celebrava a paixão pelo futebol e a importância do esporte na cultura brasileira. Apesar de um forte temporal ter ameaçado o desfile, a apresentação foi tão impactante que a Beija-Flor conquistou o segundo lugar, demonstrando o carisma e a energia contagiante dos atletas tricolores na avenida.
Entre os jogadores que participaram do desfile estavam Assis, Leomir, Branco, Jandir, Rene, Tato, Zezé Gomes, Rogério, Marcão e Washington. A iniciativa foi coordenada por Gegê, funcionário do clube há mais de 40 anos e um entusiasta do Carnaval, que sempre manteve uma forte relação com a Beija-Flor. A participação dos jogadores do Fluminense no desfile da Beija-Flor é um exemplo da integração entre o clube e a comunidade carioca, reforçando o vínculo entre o futebol e a festa mais popular do Brasil.
A Grande Rio e as Raízes Tricolores
A história da Grande Rio, outra escola de samba com forte ligação com o Fluminense, remonta à década de 1970. Em 1971, quatro escolas de samba de Duque de Caxias – União do Centenário, Cartolinhas de Caxias, Capricho do Centenário e Unidos da Vila São Luís – se uniram para formar o Grêmio Recreativo Escola de Samba Grande Rio. A fundação da escola foi inspirada pela paixão de Milton Perácio, seu fundador e um fervoroso torcedor do Fluminense. A Grande Rio nasceu com as cores tricolores, simbolizando a devoção de seu idealizador ao clube carioca.
Ao longo dos anos, a Grande Rio manteve essa ligação com o Fluminense, homenageando o clube em diversos desfiles e celebrando a sua história e conquistas. A escola de samba se tornou um importante palco para a expressão da paixão tricolor, reunindo torcedores e amantes do Carnaval em torno de um mesmo ideal: celebrar a cultura e o esporte que tanto amam.
Homenagens e Presenças Ilustres no Carnaval
Além das escolas de samba mencionadas, outras agremiações também prestaram homenagens ao Fluminense ao longo dos anos. Em 2003, a Acadêmicos da Rocinha celebrou o centenário do clube com um desfile emocionante que reviveu a fundação, as conquistas e a história de Laranjeiras. O samba-enredo, lembrado até os dias atuais, exaltava o brilhantismo e a tradição do tricolor, emocionando os torcedores e amantes do Carnaval.
Em 2014, o ídolo do Fluminense e bicampeão brasileiro, Deco, teve a honra de representar o clube na Imperatriz Leopoldinense, em um desfile que homenageava Zico. O ex-meio-campista foi o protagonista de uma ala dedicada ao Tricolor, demonstrando a importância do clube na história do futebol brasileiro. Em 2020, a Imperatriz homenageou novamente o Fluminense, com uma ala completa e citações ao clube no desfile que celebrava Lamartine Babo, compositor do hino da escola.
A relação entre o Fluminense e o Carnaval do Rio de Janeiro é uma história de paixão, tradição e celebração. A presença do clube nas escolas de samba, nas cores, nas homenagens e nas arquibancadas demonstra a força do vínculo entre o futebol e a cultura carioca, enriquecendo a festa mais popular do Brasil e emocionando torcedores e amantes do Carnaval em todo o mundo.

Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







