A diretoria do Atlético-MG tem enfrentado um desafio financeiro considerável relacionado à aquisição do atacante Deyverson. Em meio a discussões sobre o futuro do clube em campo e estratégias de reforço, uma pendência antiga com o Cuiabá Esporte Clube veio à tona, exigindo uma solução imediata para evitar sanções mais severas. A Câmara Nacional de Resoluções e Disputas (CNRD) estabeleceu um prazo rigoroso para que o Galo apresentasse um acordo ou quitasse a dívida pendente, gerando debates acalorados entre os clubes envolvidos e dentro da própria torcida alvinegra.
A Dívida e a Proposta de Parcelamento do Atlético-MG
A questão central gira em torno da compra do atacante Deyverson, realizada pelo Atlético-MG junto ao Cuiabá no meio do ano passado. O acordo inicial previa o pagamento de R$ 4 milhões, divididos em cinco parcelas. Contudo, apenas a primeira, no valor de R$ 500 mil, foi devidamente quitada. A falta de pagamento das parcelas subsequentes levou o clube mato-grossense a notificar extrajudicialmente o Atlético-MG em setembro de 2024, concedendo um prazo de 20 dias para a regularização, o que não ocorreu. Consequentemente, o caso foi levado à CNRD, onde o clube mineiro foi condenado em 29 de agosto deste ano.
Diante da pressão e da iminência do fim do prazo, estabelecido para a última segunda-feira, o Atlético-MG buscou negociar um novo plano de pagamento. Conforme apurado, a proposta apresentada ao Cuiabá consiste no pagamento de 30% do valor total da dívida – estimada em torno de R$ 5 milhões – de forma imediata, seguido por seis parcelas mensais de R$ 1,47 milhão cada. Essa iniciativa visa contornar a situação e evitar que o clube sofra penalidades mais drásticas, como a proibição de registrar novos jogadores, um risco concreto caso a obrigação não fosse cumprida.
As Críticas do Presidente do Cuiabá à CNRD
A oferta de parcelamento do Atlético-MG gerou reações contundentes por parte do presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch. Em entrevista concedida ao ge, Dresch expressou profunda insatisfação com o funcionamento da CNRD, criticando veementemente o que ele considera um “abuso” do sistema por parte dos clubes devedores. Segundo o dirigente, o fato de o Galo ter conseguido um prazo para o início dos pagamentos em novembro, com quitação prevista apenas para maio do ano seguinte, sem a incidência de juros, é inaceitável.
“Eles vão começar a pagar em novembro e terminar de pagar em maio do ano que vem. Ganharam um prazo sem pagar juros. Isso é absurdo”, declarou Dresch, evidenciando sua frustração. Ele argumenta que a CNRD, ao invés de ser um órgão eficaz para a resolução de disputas e a garantia de pagamentos, tem se tornado uma “ferramenta” para que clubes se aproveitem de dívidas entre si, obtendo longos períodos para quitação sem custos adicionais. O apelo do presidente do Cuiabá é claro: a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a própria CNRD precisam agir urgentemente para coibir essa prática, considerada por ele uma “mamata” que prejudica a saúde financeira dos clubes credores.
O Impacto da Dívida nas Estratégias de Reforço do Galo
A pendência com o Cuiabá e a necessidade de chegar a um acordo financeiro têm um reflexo direto nas movimentações do Atlético-MG no mercado de transferências. A possibilidade de ficar impedido de registrar novos reforços era uma preocupação latente, especialmente em um momento em que a diretoria busca qualificar o elenco para as diversas competições da temporada. A gestão do clube precisa equilibrar as contas e honrar seus compromissos para manter a capacidade de investir em atletas que possam agregar valor técnico e esportivo à equipe.
O caso Deyverson é apenas um exemplo das complexidades que envolvem as negociações entre clubes no futebol brasileiro. A estrutura atual de transferências e a forma como as dívidas são tratadas por órgãos como a CNRD são temas que necessitam de aprimoramento contínuo para garantir um ambiente de negócios mais justo e transparente. Enquanto a resolução desta pendência específica avança, o torcedor alvinegro segue atento aos desdobramentos, na esperança de que o clube possa superar esses obstáculos financeiros e manter o foco em seus objetivos em campo, tanto no âmbito nacional quanto em competições internacionais.
A Posição Oficial do Clube e os Próximos Passos
Diante da repercussão e das declarações do presidente do Cuiabá, o Atlético-MG se pronunciou de forma cautelosa sobre o caso. Procurado pela reportagem, o clube informou que “a posição do clube será levada aos autos do processo, que é sigiloso”. Essa declaração reforça a natureza confidencial das negociações em curso na CNRD e indica que o Galo pretende seguir os trâmites legais para apresentar sua defesa e suas propostas de acordo.
A expectativa agora é para os desdobramentos nas próximas semanas. A resolução desta dívida é crucial não apenas para o cumprimento das obrigações financeiras, mas também para a tranquilidade administrativa e esportiva do Atlético-MG. A torcida, sempre engajada com o destino do clube, aguarda por desfechos positivos que permitam ao Galo seguir adiante sem entraves, fortalecendo ainda mais sua estrutura e suas aspirações de conquista.

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