A surpreendente saída de Jorge Sampaoli do comando técnico do Atlético Mineiro marcou o início de uma nova era para o clube. A decisão, tomada na madrugada de quinta-feira, após um empate tenso em 3 a 3 contra o Remo na Arena MRV, encerra a segunda passagem do treinador argentino pelo Galo, deixando um rastro de controvérsias e expectativas frustradas. A notícia abalou o cenário futebolístico nacional, levantando questionamentos sobre os bastidores da diretoria e o futuro da equipe.
O Clima de Insustentabilidade nos Bastidores
A relação entre Jorge Sampaoli e o Atlético Mineiro, que já havia demonstrado sinais de desgaste em momentos anteriores, atingiu um ponto crítico nas últimas semanas. Internamente, a percepção era de que o treinador havia perdido a conexão com o elenco, tanto no dia a dia dos treinamentos quanto na forma como se expressava em entrevistas coletivas. Declarações públicas questionando o preparo físico e a adequação tática de alguns atletas geraram desconforto e minaram a confiança do grupo.
A postura de Sampaoli, frequentemente demonstrando insatisfação com as decisões da diretoria e o desempenho da equipe, contribuiu para a criação de um ambiente tenso e pouco propício ao sucesso. Essa dinâmica desgastante, somada a divergências em relação à política de reforços do clube, culminou em um cenário de insustentabilidade que tornou a saída do treinador inevitável.
Divergências no Mercado da Bola e Reforços Questionados
Uma das principais fontes de atrito entre Sampaoli e a diretoria do Atlético Mineiro foi a questão dos reforços. O treinador argentino insistia na contratação de jogadores específicos, como o volante Galarza, do Talleres, mas o clube não conseguiu atender às suas demandas. A busca infrutífera por um primeiro volante, com Sampaoli rejeitando diversos nomes propostos pela diretoria, gerou uma crise na Cidade do Galo.
Além disso, os reforços que chegaram ao clube, como Minda e Cassierra, não contavam com a total aprovação do treinador. A dupla foi pouco utilizada desde sua chegada, o que evidenciou a falta de alinhamento entre as expectativas de Sampaoli e as contratações realizadas pela diretoria. Essa situação contribuiu para o aumento da insatisfação do treinador e para o desgaste da relação entre as partes.
Declarações Contraditórias e Desgaste na Comunicação
Outro ponto de discórdia entre Sampaoli e a diretoria do Atlético Mineiro foi a comunicação. O treinador, em algumas ocasiões, fez declarações que divergiam do discurso oficial do clube. Um exemplo disso foi o caso de Cassierra, que a diretoria enxergava como centroavante, enquanto Sampaoli o considerava um segundo atacante, além de questionar suas condições físicas para atuar.
Essas divergências na comunicação geraram ruídos e minaram a credibilidade do clube perante a torcida e a imprensa. A falta de unidade na mensagem transmitida pelo treinador e pela diretoria contribuiu para a criação de um clima de desconfiança e incerteza em torno do futuro da equipe.
O Peso dos Resultados e a Busca por uma Reviravolta
O desempenho esportivo do Atlético Mineiro sob o comando de Jorge Sampaoli também pesou na decisão de rescindir o contrato. Nos últimos 20 jogos, a equipe conquistou apenas cinco vitórias, a maioria delas contra adversários considerados inferiores, como Vasco, Sport e Pouso Alegre. No total, a segunda passagem de Sampaoli pelo Galo resultou em 10 vitórias, 16 empates e oito derrotas, com um aproveitamento de 45,1%.
A perda do título da Sul-Americana, em 2023, também foi um golpe duro para o clube e para o treinador. O vice-campeonato eliminou o Atlético da Libertadores pelo segundo ano consecutivo, frustrando as expectativas da torcida e da diretoria. O jogo contra o Remo, considerado um “ultimato” por resultados, foi marcado por dificuldades e pelo empate no último lance, evidenciando a fragilidade da equipe.
Diante desse cenário, a diretoria do Atlético Mineiro entendeu que era necessário tomar uma decisão drástica para tentar reverter a situação e recuperar o desempenho da equipe. A escolha de demitir Jorge Sampaoli, no início da temporada e com duas competições ainda em disputa, foi motivada pela necessidade de ter tempo para encontrar um novo treinador e implementar uma nova estratégia para o restante do ano.

Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







