O Botafogo viu escapar mais uma oportunidade de ascender na tabela do Campeonato Brasileiro 2025. Em partida válida pela 33ª rodada, o Glorioso não conseguiu superar o Vitória, sendo segurado pelo placar de 0 a 0 em Salvador. A igualdade em campo, apesar de manter uma invencibilidade de cinco jogos, custou a entrada do Alvinegro no grupo de classificação para a Libertadores, o G-5.
Uma das novidades positivas para o técnico Davide Ancelotti foi ter à disposição força máxima. Pela primeira vez sob seu comando, o treinador pôde escalar a mesma equipe que havia batido o Vasco na rodada anterior, em uma atuação considerada a melhor da sua gestão. Contudo, a repetição da escalação não se traduziu em um desempenho avassalador e suficiente para furar a defesa adversária.
O Vitória, mesmo sem o mesmo brilho técnico do último adversário do Botafogo, mostrou-se bem organizado defensivamente. A equipe baiana conseguiu anular o poder de criação do meio-campo alvinegro, que contava com nomes como Savarino, Joaquín Correa e Santi Rodríguez. Dentre eles, Santi Rodríguez foi o que mais demonstrou iniciativa, buscando romper as linhas de defesa e sendo o principal destaque individual do Botafogo na partida, mesmo diante de um cenário desafiador.
Análise Tática e o Desafio de Criar Oportunidades
A estratégia do Vitória em campo era clara: montar um sistema defensivo robusto, com uma linha de cinco jogadores na retaguarda, complementada por outros três atletas posicionados na intermediária. Essa estrutura compacta dificultou consideravelmente a circulação da bola e a criação de jogadas por parte do Botafogo. Alex Telles, reconhecido por sua capacidade de armação e por ser um dos principais “garçons” da equipe, tentou explorar o corredor esquerdo para acionar Arthur Cabral. No entanto, o centroavante, alvo de marcação cerrada, passou em branco no confronto, sem conseguir balançar as redes.
Apesar das dificuldades impostas pelo adversário, o Botafogo demonstrou superioridade ao longo do primeiro tempo, controlando a posse de bola e criando algumas chances de abrir o placar. A mais gritante delas surgiu em uma cobrança de escanteio. David Ricardo desviou a bola, que sobrou completamente livre para Alexander Barboza. De frente para o gol e sem marcação, o defensor chutou para fora, em um lance inacreditável que poderia ter mudado o rumo da partida. Barboza teve uma nova oportunidade de se redimir ainda na etapa inicial, novamente em um escanteio batido por Santi Rodríguez, mas desta vez, sua finalização explodiu na trave.
Segundo Tempo: Intensidade em Queda e Decisões Questionáveis
A expectativa para a segunda etapa era de uma melhora no desempenho botafoguense, e Davide Ancelotti manteve a mesma formação que iniciou o jogo. Utilizando a estratégia de passes rápidos e com poucos toques na bola, característica que tem começado a se destacar sob o comando do treinador, o time alvinegro conseguiu criar uma de suas poucas jogadas mais lúcidas. Aos quatro minutos, em uma construção coletiva envolvente, Santi Rodríguez conseguiu sua única finalização no jogo, mas sem sucesso.
No decorrer do segundo tempo, o Botafogo mostrou uma queda acentuada em sua intensidade e inspiração. As substituições realizadas pelo comando técnico não surtiram o efeito desejado, mantendo o baixo nível de atuação da equipe. Uma das trocas que gerou mais questionamentos foi a saída de Santi Rodríguez, o jogador mais lúcido em campo, para a entrada de Newton, um volante. A decisão chamou a atenção negativamente, especialmente considerando que jogadores como o volante Danilo, que esteve apagado durante o jogo, permaneceram em campo.
Estatísticas e o Impacto na Classificação
O restante da segunda etapa para o Botafogo se resumiu a uma postura mais defensiva, tentando segurar o resultado diante de um Vitória que, impulsionado pelo apoio de sua torcida, buscava o ataque com maior frequência, ainda que sem a precisão necessária. Ao final do confronto, a posse de bola refletiu um certo equilíbrio, com 54% para o Botafogo contra 46% para o Vitória.
O volume de jogo do Vitória aumentou consideravelmente na reta final, o que se traduziu em um maior número de finalizações. Foram 11 chutes a gol da equipe baiana, contra 10 do time de Ancelotti. Para efeito de comparação, o mesmo Botafogo, com a mesma formação, havia registrado 22 arremates a gol no jogo contra o Vasco. Essa queda drástica na produção ofensiva é um ponto de alerta.
Visão Geral do Campeonato e Próximos Passos
O empate sem gols em Salvador mantém o Botafogo em uma sequência positiva de cinco jogos sem perder, um indicativo de solidez defensiva e de capacidade de pontuar. No entanto, a necessidade de somar pontos de forma contínua é crucial para que o clube atinja seu objetivo principal para a temporada: a conquista de uma vaga na Copa Libertadores. Neste domingo, a equipe carioca perdeu a oportunidade de ultrapassar o Bahia na tabela, mas a distância entre as equipes é de apenas um ponto, com cinco rodadas restantes para o encerramento do Brasileirão.
A coletiva de Davide Ancelotti após o empate sem gols do Botafogo contra o Vitória trouxe sua visão sobre o desempenho da equipe e os próximos passos na competição. A pressão por resultados e a busca pela consistência serão os grandes desafios para o Glorioso nas partidas decisivas que se aproximam.

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