Uma nova onda de mudanças na rotina de treinos do Corinthians tem gerado repercussão interna, com alguns jogadores expressando descontentamento com a nova filosofia de preparação física. A reestruturação, iniciada com a chegada do novo comando técnico, trouxe ajustes significativos tanto na metodologia aplicada em campo quanto na dinâmica de relacionamento entre atletas e comissão. Entre os nomes que demonstram insatisfação, o atacante Memphis Depay tem se destacado, especialmente em virtude de seu histórico de lesões e a percepção de que os processos de recuperação e retorno aos gramados não estão alinhados com suas necessidades específicas.
A Reestruturação na Preparação Física do Corinthians
Desde a transição de comando técnico no clube paulista, uma profunda reestruturação tem sido implementada no departamento de preparação física. Essa nova abordagem visa otimizar o desempenho dos atletas e minimizar os riscos de lesões, mas o processo tem sido marcado por divergências e questionamentos por parte do elenco. A filosofia anterior, caracterizada por uma presença mais intensa e um envolvimento direto do preparador físico com o dia a dia dos jogadores, tanto em campo quanto nos bastidores, cedia espaço a um modelo distinto, com uma atuação mais reservada e focada em aspectos específicos. A mudança, embora planejada para trazer benefícios a longo prazo, tem gerado um período de adaptação que nem sempre tem sido pacífico.
Sob a égide da antiga gestão, a preparação física era liderada por um profissional de personalidade forte, cuja proximidade com os atletas criava um ambiente de acompanhamento individualizado. Essa dinâmica, embora pudesse ocasionalmente gerar atritos e discussões acaloradas, como as que envolveram nomes como Yuri Alberto e o próprio Memphis Depay, era vista por muitos como um diferencial importante. A percepção de que havia atenção personalizada às suas demandas individuais era um ponto valorizado por grande parte do grupo. Essa interação direta permitia, por vezes, uma comunicação mais fluida sobre as necessidades específicas de cada jogador, contribuindo para um senso de pertencimento e cuidado.
A Nova Abordagem Sob o Comando de Dorival Júnior
Com a ascensão de Dorival Júnior ao posto de treinador principal, o cenário da preparação física no Timão tomou um novo rumo. Celso de Rezende assumiu a responsabilidade pelas sessões de treinamento em campo, mas com uma postura notavelmente mais discreta. Embora sua participação nos treinos coletivos seja garantida, a interação direta com o elenco nas atividades cotidianas é mantida a uma distância maior. Essa mudança de comportamento e atuação tem sido um dos pontos centrais da adaptação e, consequentemente, das críticas.
Em paralelo, Reverson Pimentel, à frente do núcleo de performance, tem a tarefa de gerenciar essa transição e buscar um equilíbrio entre as novas diretrizes e as expectativas dos atletas. A divisão oficial de responsabilidades estabelece que o departamento interno do Centro de Treinamento (CT) cuida da parte preventiva e do acompanhamento de jogadores em processo de retorno de lesões. Paralelamente, a comissão técnica foca suas energias no trabalho realizado diretamente no gramado. No entanto, a proximidade e a afinidade entre Reverson e Celso indicam que as decisões importantes são, em grande parte, compartilhadas. Essa colaboração, ainda que com boas intenções, nem sempre consegue suprir as expectativas e as necessidades individuais de cada atleta, gerando um sentimento de descompasso em alguns casos.
Descontentamento de Memphis Depay e Outros Jogadores Chave
A insatisfação com os novos métodos não se limita a um único jogador. A reportagem aponta que Memphis Depay tem demonstrado um visível descontentamento com o modelo implementado. O atacante holandês, que possui um histórico de lesões em sua carreira, avalia que os processos de recuperação e reintegração ao trabalho com bola não estão sendo satisfatórios. Sua frustração é particularmente intensa em relação às atividades que, em sua percepção, não dialogam de forma eficaz com suas demandas fisiológicas e com o que considera ideal para sua recuperação e manutenção da forma física. A sensação é de que suas particularidades não estão sendo totalmente compreendidas ou atendidas.
O desconforto, contudo, se estende a outros nomes de peso no elenco corintiano. Jogadores como André Carrillo, Rodrigo Garro e Yuri Alberto também têm manifestado seu desagrado em relação às novas práticas de preparação física. Essas manifestações coletivas de insatisfação sinalizam a necessidade de um diálogo mais aprofundado e de ajustes pontuais para garantir que todos os atletas se sintam amparados e confiantes nos processos que visam a longevidade e o alto rendimento em campo. A busca por um consenso e por um modelo que satisfaça a maioria é um desafio que a comissão técnica e a diretoria do clube terão pela frente nas próximas semanas e meses.

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