Uma disputa acirrada nos bastidores do futebol paulista tem ganhado destaque. O projeto “SAFiel”, que visa transformar o Sport Club Corinthians Paulista em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com participação da torcida, enfrenta a oposição do próprio clube em relação ao registro de sua marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A controvérsia levanta questões sobre a propriedade da identidade do clube e o futuro da gestão corintiana.
O Projeto SAFiel e a Busca pela Transformação
O “SAFiel” propõe uma reestruturação completa do Corinthians, separando as atividades futebolísticas do clube social. A ideia central é criar uma empresa, a Invasão Fiel S.A., que deteria todos os ativos relacionados ao futebol – masculino, feminino e categorias de base. Essa empresa seria aberta para investimento, com ações disponíveis para torcedores e investidores institucionais. A proposta visa injetar recursos financeiros significativos no clube, estimados entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2,5 bilhões, para quitar dívidas, modernizar a infraestrutura e fortalecer o elenco.
A Oposição do Corinthians e a Defesa da Marca “Fiel”
Em agosto de 2025, os idealizadores da SAFiel solicitaram o registro da marca “SAFiel” no INPI. No entanto, em outubro do mesmo ano, o Corinthians apresentou uma oposição formal ao pedido. O clube argumenta que o termo “Fiel” é intrinsecamente ligado à sua história e identidade, sendo amplamente reconhecido como pertencente à sua marca. A petição do Corinthians alega que a utilização do termo “SAFiel” configura uma imitação da marca “Fiel”, capaz de gerar confusão entre os consumidores e prejudicar a imagem do clube.
Argumentos Jurídicos e a Análise do INPI
A defesa do Corinthians se baseia na similaridade fonética, visual e ideológica entre as marcas “Fiel” e “SAFiel”. O clube argumenta que a adição do prefixo “SA” não é suficiente para diferenciar as marcas, uma vez que o elemento “Fiel” permanece como o núcleo distintivo e marcário. A oposição enfatiza que a marca “Fiel” é amplamente reconhecida e associada ao Corinthians, e que a utilização de “SAFiel” inevitavelmente remete à marca original, induzindo o público a erro. Até o momento, o INPI não se pronunciou sobre a disputa, deixando o futuro da marca “SAFiel” incerto.
A Reação da SAFiel e a Defesa do Patrimônio Coletivo
Em resposta à oposição do Corinthians, a SAFiel emitiu uma nota oficial, criticando a postura do clube. A nota argumenta que a oposição demonstra uma interpretação de que o Sport Club Corinthians Paulista seria tratado como propriedade exclusiva, em vez de patrimônio coletivo de sua torcida. A SAFiel defende que os fundamentos apresentados pelo clube não se sustentam do ponto de vista técnico e que a marca “SAFiel” visa justamente democratizar o acesso ao clube, permitindo que a torcida participe ativamente da sua gestão e desenvolvimento. A SAFiel afirma ter adotado as medidas cabíveis para assegurar o registro das marcas e destiná-las à coletividade corintiana.
Implicações e o Futuro da Gestão Corintiana
A disputa entre o Corinthians e a SAFiel reflete um debate mais amplo sobre o futuro da gestão do futebol brasileiro. A transformação em SAF, com a abertura de capital e a participação de investidores, é vista por muitos como uma forma de modernizar a gestão dos clubes, atrair recursos financeiros e aumentar a competitividade. No entanto, a oposição do Corinthians demonstra a preocupação em preservar a identidade e a tradição do clube, evitando que a gestão seja dominada por interesses financeiros. O desfecho dessa disputa terá um impacto significativo no futuro do Corinthians e poderá influenciar a forma como outros clubes brasileiros abordam a questão da transformação em SAF. A situação atual demonstra a complexidade de equilibrar a necessidade de modernização com a preservação da identidade e do patrimônio histórico dos clubes de futebol.
A dívida do Corinthians, que gira em torno de R$ 2,8 bilhões, conforme dados de novembro de 2025, é um dos principais motivadores da busca por alternativas de reestruturação financeira. A SAFiel propõe um modelo de gestão profissional, com a criação de um Comitê de Governança, conselhos administrativo, fiscal e cultural, e a contratação de executivos com base em critérios de capacidade e desempenho. A expectativa é que essa nova estrutura possa atrair investimentos, gerar receitas e colocar o Corinthians de volta ao caminho do sucesso.

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