O Sport Club Corinthians Paulista vive um momento de turbulência administrativa após a divulgação de um relatório de auditoria interna que aponta sérias irregularidades na gestão de materiais esportivos fornecidos pela Nike. A situação culminou na demissão de Rafael Salomão, gerente administrativo responsável pela intermediação com a fornecedora e pela administração de um dos almoxarifados do clube. A notícia gerou grande repercussão entre a torcida e reacendeu o debate sobre a organização interna do clube alvinegro.
Auditoria Revela Desvios Significativos na Gestão de Materiais
A auditoria, conduzida pelo diretor de Tecnologia, Marcelo Munhoes, revelou que a retirada de materiais esportivos excedeu em quase 300% a cota anual estabelecida no contrato com a Nike. Essa discrepância levantou suspeitas sobre o destino dos produtos e a possível ocorrência de desvios. Além disso, o relatório aponta que, enquanto alguns setores do clube enfrentam dificuldades para obter uniformes em condições adequadas, outros acumulam estoques excessivos e sem controle.
Rafael Salomão e a Divisão dos Almoxarifados
Rafael Salomão, o gerente administrativo demitido, era o elo entre o Corinthians e a Nike, além de supervisionar o almoxarifado no Parque São Jorge. Segundo informações apuradas, Salomão alertou a diretoria sobre os potenciais problemas decorrentes da divisão do estoque em dois locais – Parque São Jorge e CT Joaquim Grava – recomendando a unificação do sistema, como era feito anteriormente. A divisão foi implementada durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo. Apesar de reiterar a necessidade de retornar ao modelo anterior, inclusive em conversa com o atual presidente Osmar Stabile, a cúpula alvinegra optou por manter a divisão, alegando que era melhor manter o estoque do futebol profissional no CT, com promessas de melhorias no controle.
Caso das Camisas Brancas e o Jogo Contra o Fluminense
Um dos episódios mais emblemáticos revelados pela auditoria foi a falta de camisetas brancas para o jogo contra o Fluminense, válido pelo Campeonato Brasileiro. Dias antes da partida, a administração do almoxarifado no CT percebeu que não havia estoque suficiente do uniforme principal, forçando o clube a solicitar à diretoria do Fluminense que ambas as equipes jogassem com o segundo uniforme. A situação expôs a fragilidade do controle de estoque e a falta de planejamento na gestão dos materiais esportivos. Este incidente, ocorrido em 13 de setembro de 2025, ilustra as consequências diretas da má administração dos recursos.
Investigações e Demissões no Corinthians
A demissão de Rafael Salomão não foi a primeira relacionada às irregularidades identificadas na auditoria. Em novembro do ano passado, um funcionário do setor de limpeza do Parque São Jorge foi demitido após ser flagrado vendendo clandestinamente camisas do clube. A Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo também está investigando as denúncias apresentadas no relatório, tendo ouvido o depoimento de Salomão. O clube, em nota oficial, afirmou que a demissão de Salomão não está relacionada ao depoimento, mas sim a uma reestruturação administrativa em curso.
Responsabilidades e Defesas na Gestão
O relatório da auditoria aponta o vice-presidente Armando Mendonça, responsável pela administração dos materiais no clube, como central em algumas das inconformidades encontradas, como a retirada direta de itens sem registro formal ou autorização prévia. Mendonça, no entanto, negou as irregularidades, afirmando que o descontrole ocorreu durante a gestão de Augusto Melo e que a atual administração já implementou correções. Ele também criticou o relatório, alegando que ele possui falhas e imprecisões. A situação levanta questionamentos sobre a responsabilidade de cada um dos envolvidos e a necessidade de uma investigação mais aprofundada para esclarecer os fatos e punir os responsáveis.
A torcida corintiana aguarda desdobramentos e espera que as medidas tomadas pela diretoria sejam eficazes para solucionar os problemas de gestão e garantir a transparência na administração do clube. A situação atual exige uma revisão completa dos processos internos e a implementação de controles mais rigorosos para evitar que irregularidades semelhantes se repitam no futuro. O clube, com uma história rica e uma torcida apaixonada, precisa superar este momento delicado e retomar o caminho da organização e da eficiência.

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