O Clube de Regatas do Flamengo deu um passo significativo em sua busca por reconhecimento além das quatro linhas, protocolando um pedido inédito no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A solicitação visa o reconhecimento da sua torcida, carinhosamente apelidada de “Nação Rubro-Negra”, como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Essa iniciativa ambiciosa reflete a magnitude e a importância cultural do Flamengo para o país, buscando eternizar a paixão e a identidade que unem milhões de torcedores.
A Força da Nação Rubro-Negra: Um Patrimônio em Potencial
A torcida do Flamengo transcende a mera paixão por um clube de futebol. Ela se configura como um fenômeno social e cultural, presente em todas as regiões do Brasil e com forte representatividade internacional. A “Nação” compartilha símbolos, rituais, músicas e uma identidade única, que se manifesta em estádios, ruas e plataformas digitais. O pedido ao Iphan busca formalizar e proteger essa manifestação cultural, reconhecendo seu valor para a história e a identidade brasileira. A iniciativa é um marco na valorização do futebol como expressão cultural e um precedente para o reconhecimento de outras torcidas organizadas no país.
Zico Lidera o Movimento e Entrega o Pedido ao Iphan
A entrega do pedido ao Iphan foi realizada pelo maior ídolo da história do Flamengo, Arthur Antunes Coimbra, o Zico. A presença de Zico, símbolo da paixão e da glória rubro-negra, reforça a importância da iniciativa e o engajamento do clube em sua concretização. O encontro com o presidente do Iphan, Leandro Grass, e o diretor de Patrimônio Imaterial, Deyvesson Gusmão, ocorreu no acervo do Patrimônio Histórico do Flamengo, na Gávea, um local que guarda a memória e a tradição do clube. Zico, em um vídeo emocionante destinado à Nação, ressaltou a força e a união dos torcedores, descrevendo o Flamengo como uma “Nação sem fronteiras”, que fala a mesma língua e compartilha a mesma paixão.
O Iphan Avaliará a Solicitação e Abrirá um Diálogo sobre o Futebol e a Cultura
O presidente do Iphan, Leandro Grass, demonstrou receptividade ao pedido do Flamengo, afirmando que a solicitação abre um diálogo relevante sobre o reconhecimento de elementos culturais ligados ao futebol no Brasil. Segundo Grass, a proposta de registrar a Nação Rubro-Negra como patrimônio imaterial representa uma possibilidade inovadora dentro da política nacional de patrimônio. O Iphan iniciará uma análise técnica para verificar se a solicitação atende aos critérios estabelecidos para o reconhecimento de bens culturais imateriais, como práticas, saberes, celebrações e formas de expressão. O processo envolve a avaliação da documentação apresentada, estudos técnicos e a consulta a especialistas e à comunidade envolvida.
Flamengo Almeja Reconhecimento da ONU como “Nação Simbólico-Cultural”
A iniciativa junto ao Iphan faz parte de uma estratégia mais ampla do Flamengo, que busca o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) como a “primeira Nação Simbólico-Cultural do planeta”. O clube lançou uma campanha em 2025 com o objetivo de engajar a sua imensa torcida em um movimento simbólico, que traduz a força cultural, social e emocional do Flamengo, que ultrapassa fronteiras. O reconhecimento pela ONU, ainda que em caráter simbólico, seria a validação internacional de um fenômeno que já se manifesta no Brasil e em todo o mundo. Para alcançar esse objetivo, o clube convida os torcedores a participarem ativamente da causa, assinando uma petição digital disponível no site oficial do clube (peticao.flamengo.com.br). A petição já conta com cerca de 600 mil assinaturas e a meta é alcançar 1 milhão de adesões.
Como Funciona o Processo de Reconhecimento no Iphan
Após o protocolo do pedido, o Iphan realiza uma análise preliminar para verificar se a solicitação está completa e se o bem cultural proposto se enquadra nos critérios de patrimônio cultural imaterial. Se o pedido for aceito preliminarmente, o Iphan abre oficialmente um processo administrativo de registro, e especialistas realizam estudos técnicos detalhados e elaboram um parecer recomendando ou não o reconhecimento. Esse parecer é encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, um órgão colegiado responsável por votar a aprovação ou rejeição do pedido. Caso aprovado, o bem é inscrito no Livro de Registro de Bens Culturais Imateriais, tornando-se oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O processo é rigoroso e exige a comprovação da relevância cultural, da autenticidade e da vitalidade da manifestação a ser reconhecida.
A iniciativa do Flamengo demonstra a crescente valorização do futebol como expressão cultural e a importância de proteger e preservar as manifestações que enriquecem a identidade brasileira. O reconhecimento da Nação Rubro-Negra como Patrimônio Cultural Imaterial seria um marco histórico, celebrando a paixão, a união e a força de uma torcida que transcende as fronteiras do esporte.

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