O Flamengo se prepara para mais uma decisão na Copa Libertadores da América, marcando sua quarta final desde 2019. No entanto, o roteiro desta vez se desenha de maneira bastante distinta das campanhas anteriores. Ao contrário de anos passados, onde o protagonismo individual de artilheiros definia os rumos da equipe, a atual jornada rubro-negra tem como marca a força coletiva e a solidez defensiva, com um ataque mais pulverizado e equilibrado em suas contribuições ofensivas.
Nesta temporada de 2025, o Rubro-Negro chega à final sem um goleador isolado na ponta da artilharia. Em 12 partidas disputadas na competição, o time marcou um total de 12 gols, evidenciando uma distribuição de responsabilidades ofensivas entre diversos atletas. A dependência de figuras como Gabigol e Pedro, que antes eram os catalisadores de gols decisivos, deu lugar a um jogo de conjunto, onde as jogadas são construídas de forma mais coletiva e a segurança defensiva se tornou um pilar fundamental para o sucesso da equipe.
Artilharia Dividida: Um Novo Paradigma Rubro-Negro
As campanhas vitoriosas e as campanhas que levaram o Flamengo a finais recentes foram frequentemente marcadas por artilheiros que carregaram o time nas costas. Em 2019, a conquista da Libertadores teve Gabigol como grande protagonista, balançando as redes nove vezes, incluindo os gols decisivos que garantiram a virada épica contra o River Plate na grande final. Sua performance individual foi um dos maiores trunfos daquela campanha histórica.
A história se repetiu em 2021, quando o camisa 9, Gabigol, novamente liderou a artilharia da competição com 11 gols, mesmo que o desfecho final tenha sido o vice-campeonato diante do Palmeiras. Sua capacidade de decisão em momentos cruciais era inegável e essencial para que a equipe chegasse tão longe. Já em 2022, foi a vez de Pedro assumir o posto de goleador máximo, terminando a edição com 12 tentos anotados. Seu faro de gol foi crucial para que o time erguesse a taça da Libertadores de forma invicta, superando o Athletico-PR na grande decisão.
O cenário em 2025, contudo, apresenta um contraste marcante. Nenhum jogador do elenco conseguiu ultrapassar a marca de dois gols na competição até o momento. A responsabilidade ofensiva está mais distribuída. Arrascaeta e Pedro dividem o posto de principais artilheiros do time no torneio, mas a lista de jogadores que contribuíram com gols é extensa e diversificada. Nomes como Carrascal, Varela, Bruno Henrique, Léo Pereira, Léo Ortiz, Luiz Araújo, De la Cruz e Juninho também deixaram suas marcas, demonstrando a força do elenco e a variedade de opções ofensivas que o técnico Filipe Luís tem à disposição. Essa pulverização de gols reforça a ideia de um time que ataca e vence em conjunto, sem depender de um único craque para resolver as partidas.
Defesa Sólida: O Alicerce do Sucesso em 2025
Em contrapartia à artilharia mais pulverizada, o Flamengo exibe um desempenho defensivo impressionante na atual edição da Libertadores. A solidez atrás tem sido, sem dúvida, a principal virtude da equipe. Foram apenas cinco gols sofridos ao longo de toda a competição até a final, um número que se destaca como o melhor desempenho entre as campanhas recentes do clube no torneio. Para se ter uma ideia da evolução, em 2019, o time sofreu dez gols; em 2021, foram catorze; e em 2022, a defesa foi vazada oito vezes.
Essa marcação firme e organizada demonstra o trabalho tático da equipe e a segurança proporcionada pelos defensores. A capacidade de neutralizar os ataques adversários, aliada a uma transição rápida e eficiente, tem sido um fator determinante para que o Flamengo chegue à final com tal consistência. A filosofia de jogo implementada pelo técnico Filipe Luís parece ter surtido o efeito desejado, transformando a defesa em um verdadeiro muro intransponível e um ponto de partida para as ações ofensivas.
Desafios e Adaptações para a Grande Final
Apesar da força demonstrada ao longo da competição, o Flamengo precisa lidar com alguns obstáculos importantes às vésperas da decisão. A situação de Pedro é uma das principais preocupações. O atacante, que vinha sendo uma peça fundamental no ataque, ainda se recupera de uma fratura no braço, e sua presença em campo na final é incerta. Sua capacidade de finalização e presença de área são atributos que farão muita falta caso ele não possa atuar.
Outro desfalque sentida é o de Plata, que está suspenso para a grande decisão após ser expulso na semifinal contra o Racing. O jogador equatoriano vinha se tornando uma alternativa importante na função de referência ofensiva, trazendo dinamismo e poder de fogo ao ataque. Sua ausência também representa um desafio para a estratégia de Filipe Luís.
No entanto, a equipe rubro-negra entra nesta final fortalecida pela maturidade conquistada ao longo da temporada e pela consolidação de uma nova filosofia de jogo. Se nas campanhas anteriores a glória era frequentemente alcançada pela genialidade individual de seus artilheiros, em 2025, o clube aposta firmemente na força do grupo, na disciplina tática impecável e na segurança defensiva como os pilares para a conquista do título. Essa abordagem, que reflete a visão clara e aplicada do técnico Filipe Luís, demonstra que o Flamengo se reinventou e está pronto para buscar mais uma taça Libertadores, utilizando uma nova receita para o sucesso.

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