A partida entre Benfica e Real Madrid, válida pela fase de repescagem da Champions League, foi marcada por um incidente grave de racismo contra o atacante brasileiro Vinícius Júnior. Apesar do gol decisivo do jogador que garantiu a vitória do Real Madrid por 1 a 0 em Portugal, a noite foi ofuscada por ofensas raciais proferidas por um jogador do Benfica, levando à ativação do protocolo antirracismo da UEFA e a momentos de alta tensão no estádio.
Gol de Vinícius Júnior e Reação da Torcida
O jogo começou com ambas as equipes buscando o controle da partida, mas foi Vinícius Júnior quem brilhou ao abrir o placar no início do segundo tempo. Com um chute preciso e potente, o atacante brasileiro colocou o Real Madrid em vantagem, desencadeando uma explosão de alegria entre os jogadores e a torcida merengue. A comemoração de Vini Jr., com sua tradicional dança, inflamou a torcida do Benfica, que reagiu de forma hostil, atirando diversos objetos em direção ao jogador.
A resposta da torcida portuguesa foi imediata e agressiva, com objetos sendo lançados em direção a Vinícius Júnior enquanto ele celebrava o gol. O árbitro da partida, François Letexier, prontamente aplicou um cartão amarelo ao brasileiro por sua comemoração, considerada provocativa por alguns. A situação escalou rapidamente, com jogadores de ambas as equipes se envolvendo em discussões acaloradas na área do campo.
Denúncia de Racismo e Ativação do Protocolo
O ponto crucial da partida ocorreu quando Vinícius Júnior relatou ao árbitro ter sido vítima de insultos raciais por parte do jogador argentino Prestianni, do Benfica. Segundo o relato do atacante brasileiro, Prestianni o teria chamado de “macaco”, uma ofensa racista inaceitável que gerou indignação imediata. Diante da gravidade da denúncia, o árbitro Letexier acionou o protocolo antirracismo da UEFA, interrompendo a partida por aproximadamente dez minutos para analisar a situação.
Durante a paralisação, a tensão no estádio atingiu o ápice. Jogadores de ambas as equipes se confrontaram, houve empurrões e discussões acaloradas entre os bancos de reservas, e o técnico do Benfica, Mourinho, acabou sendo expulso da partida. Vinícius Júnior, visivelmente abalado emocionalmente, demonstrou seu sofrimento e indignação com a situação. O companheiro de ataque, Mbappé, defendeu veementemente Vini Jr., confrontando o jogador acusado de racismo e até mesmo ameaçando abandonar o campo em solidariedade ao brasileiro.
Solidariedade e Apoio a Vinícius Júnior
A atitude de Mbappé demonstra a importância da união e do apoio mútuo entre os jogadores na luta contra o racismo. A ameaça de deixar o campo, embora não concretizada, serviu como um forte protesto contra a discriminação e a violência racial. A solidariedade de Mbappé e de outros companheiros de equipe foi fundamental para dar suporte a Vinícius Júnior em um momento tão difícil.
Apesar das vaias e dos objetos atirados pela torcida local, Vinícius Júnior demonstrou grande coragem e profissionalismo ao retornar ao gramado e concluir a partida. Sua determinação em seguir jogando, mesmo diante de tamanha adversidade, é um exemplo de resiliência e força de vontade. A vitória do Real Madrid, conquistada graças ao seu gol, teve um sabor agridoce, marcado pela tristeza e pela indignação com o episódio de racismo.
Provocação de Otamendi e Clima Tenso
Nos minutos finais da partida, a tensão se manteve alta, com um incidente envolvendo o zagueiro argentino Otamendi, do Benfica. Antes de uma cobrança de escanteio, Otamendi e Vinícius Júnior se envolveram em uma discussão acalorada. O zagueiro argentino, em um gesto considerado provocativo, levantou a camisa para mostrar as tatuagens que representam suas conquistas com a seleção argentina, incluindo a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2021. A atitude de Otamendi inflamou ainda mais o clima já tenso entre os jogadores e a torcida.
A partida entre Benfica e Real Madrid, além de definir um importante resultado no contexto da Champions League, deixou uma marca negativa na história do futebol. O episódio de racismo sofrido por Vinícius Júnior reacendeu o debate sobre a necessidade de medidas mais rigorosas para combater a discriminação e a violência racial nos estádios. A solidariedade dos companheiros de equipe, a coragem do jogador brasileiro e a atuação do árbitro na ativação do protocolo antirracismo foram pontos positivos em meio a uma noite sombria para o esporte.
Próximos Passos e a Luta Contra o Racismo
A UEFA e as autoridades do futebol português devem investigar a fundo o incidente e punir os responsáveis pelas ofensas raciais. É fundamental que exemplos sejam dados para que atos como esse não se repitam. A luta contra o racismo no futebol é uma responsabilidade de todos: clubes, jogadores, torcedores, árbitros e autoridades. É preciso promover a conscientização, a educação e o respeito à diversidade para construir um ambiente mais justo e igualitário para todos.
O caso de Vinícius Júnior serve como um alerta para a persistência do racismo no futebol e na sociedade. É preciso intensificar os esforços para combater essa chaga e garantir que todos os jogadores, independentemente de sua cor ou origem, possam jogar com dignidade e segurança. A vitória do Real Madrid, embora importante, fica em segundo plano diante da necessidade urgente de erradicar o racismo do esporte e da vida.

Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







