O goleiro argentino Rossi se consolida como peça fundamental no Flamengo, celebrando a oportunidade de vestir a camisa rubro-negra e seguindo os passos de grandes ídolos de sua nacionalidade que defenderam o clube. Recentemente, o camisa 1 foi o grande destaque na classificação do Mengão para as semifinais da Copa Libertadores da América, defendendo duas cobranças de pênalti contra o Estudiantes, em solo argentino. Nesta quarta-feira, às 21h30, o Flamengo iniciará a disputa por uma vaga na grande final contra o Racing, no Maracanã.
Com pouco mais de dois anos de clube, Rossi já ergueu taças importantes como a Copa do Brasil, a Supercopa do Brasil e dois Campeonatos Cariocas. O arqueiro demonstra uma ambição clara de adicionar mais títulos à sua vitoriosa passagem pelo Rio de Janeiro, mirando novas conquistas em 2025 e nos anos seguintes. Em sua trajetória, o goleiro encontra inspiração em um compatriota que deixou uma marca indelével na história do Flamengo: Ubaldo Fillol.
A Herança dos Goleiros Argentinos no Flamengo
Ubaldo “Pato” Fillol, um nome reverenciado no futebol mundial até a década de 1980, nasceu na província de Buenos Aires. Conhecido por suas defesas espetaculares e liderança, Fillol conquistou a Copa do Mundo de 1978 com a Seleção Argentina e foi titular no Mundial de 1982. Sua passagem pelo Flamengo se deu a partir de dezembro de 1983, chegando para suprir a ausência do ídolo Raul Plassmann.
Apesar de ter desenvolvido uma forte identificação com a torcida e com a cidade do Rio de Janeiro, a trajetória de Fillol no clube carioca foi relativamente curta, durando pouco mais de um ano. Durante esse período, ele disputou 71 partidas, conquistou uma Taça Guanabara e uma Taça Rio. A decisão de se transferir para o Atlético de Madrid, anos mais tarde, foi algo que o próprio Fillol expressou arrependimento.
Após a saída de Fillol, o Flamengo ficou um longo período de 38 anos sem contar com um goleiro estrangeiro em seu elenco. Rossi, ao chegar em 2023, tornou-se o primeiro a quebrar esse jejum. Desde o início de sua jornada no clube, o argentino já expressava a emoção de seguir os passos de um goleiro tão importante para o futebol de seu país. No entanto, foi somente após dois anos e a conquista de alguns títulos que Rossi teve a oportunidade de conhecer pessoalmente seu conterrâneo.
O Encontro Histórico entre Rossi e Fillol
Rossi compartilhou em entrevista que a vivência no Flamengo, para ele, é algo “inexplicável”. Ele revelou um encontro emocionante com Ubaldo Fillol, que lhe contou sobre o arrependimento de ter deixado o clube carioca. “Passou muito tempo desde que ele esteve aqui. Agora que estou vivendo o que é o Flamengo de verdade. Quando cheguei aqui, ele me disse que se arrependia muito de ter saído do Flamengo naquela época. E o Flamengo já era grande. Eu não vivi aquela época, mas acho que hoje é maior ainda. É algo inexplicável estar aqui”, declarou Rossi.
O encontro pessoal entre os dois arqueiros ocorreu este ano, durante uma visita de Fillol ao Ninho do Urubu. O ex-goleiro argentino esteve no Rio de Janeiro como convidado da delegação do Racing, seu ex-clube, para a disputa da Recopa Sul-Americana contra o Botafogo. Fillol, ídolo do Racing em sua carreira, presenteou Rossi com uma réplica da camisa que utilizou na Copa do Mundo de 1978, um gesto simbólico e emocionante.
Reforçando a Importância da Identidade Argentina no Gol Rubro-Negro
Rossi ressaltou a satisfação em dar continuidade à tradição de goleiros argentinos no Flamengo. “Essa influência dos goleiros argentinos aqui há muito tempo não acontecia. Estar aqui me deixa muito feliz e contente, pela história do futebol brasileiro, do Flamengo e dos goleiros argentinos no Mengão. Me deixa feliz estar hoje cumprindo meu trabalho aqui, fazendo da melhor forma que eu gosto, que é dentro do campo. Contar com o apoio da torcida é algo muito importante”, afirmou Rossi.
A lista de goleiros argentinos que defenderam o Flamengo não se limita a Rossi e Fillol. No passado, Eusébio Chamorro foi contratado em 1953, a pedido do técnico paraguaio Fleitas Solich, mas teve poucas oportunidades. Posteriormente, Rogelio Domínguez atuou pelo clube entre 1968 e 1969, sem deixar uma marca expressiva.
Rossi em Números: Uma Muralha Argentina
A presença e a benção de Fillol parecem ter trazido sorte a Rossi, que vive um dos melhores momentos de sua carreira. Pelo Flamengo, o goleiro argentino acumula 130 jogos disputados, todos como titular, e impressionantes 65 partidas sem sofrer gols, o que representa 50% dos confrontos. Ao todo, Rossi sofreu apenas 89 gols, mantendo uma média espetacular de 0,68 gol por jogo.
Na Copa Libertadores da América, sua performance é ainda mais notável. Rossi disputou 20 partidas e não foi vazado em 11 delas, superando a marca da metade dos jogos. Esses números, compilados pelo Gato Mestre, evidenciam sua importância. Além de suas defesas, Rossi se consolidou como uma peça chave no estilo de jogo do Flamengo, especialmente sob o comando de Filipe Luís.
A Contribuição de Rossi Além das Defesas
O goleiro argentino não se limita a defender a meta rubro-negra. Rossi é reconhecido por sua participação ativa na saída de bola, buscando opções para iniciar as jogadas de ataque. Sua visão de jogo foi demonstrada na recente vitória sobre o Palmeiras, quando um belo lançamento seu encontrou Pedro, que deu prosseguimento à jogada que resultou no gol de Arrascaeta. Além disso, Rossi é uma figura comunicativa, orientando seus companheiros em campo e frequentemente engajado em conversas com a comissão técnica à beira do gramado.
Após garantir a classificação do Flamengo em seu país natal e contra seu ex-clube, Rossi tem pela frente o desafio de superar mais uma equipe argentina para alcançar a tão sonhada final da Libertadores. O jogo de ida contra o Racing acontece no Maracanã, com a definição da vaga ocorrendo na Argentina, no dia 29 deste mês.

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