O centroavante Germán Cano, um dos maiores ídolos recentes do Fluminense, atravessa um momento de incerteza incomum em sua trajetória no clube. As vaias ouvidas, mesmo que pontuais, durante sua substituição no clássico contra o Vasco, na derrota por 2 a 0 no Maracanã, marcaram um ponto de inflexão no sentimento da torcida em relação ao camisa 14. Apesar de sua importância histórica e de já ter alcançado a marca de 20 gols na temporada, o atacante tem enfrentado um declínio notável em seu desempenho, levantando debates sobre sua titularidade nas próximas partidas. Sua produção ofensiva tem sido limitada, com apenas um gol nas últimas treze aparições, um contraste gritante com seus anos anteriores de artilharia e decisividade. A estratégia de escalação de Fernando Diniz tem oscilado, com Cano sendo titular em quatro dos seis jogos sob o comando de Zubeldía, com exclusões pontuais para controle de carga ou por decisão tática. Em campo, suas finalizações têm diminuído drasticamente, e sua participação fora da área, onde nunca foi seu forte, tem sido mais evidente, acentuando a percepção de baixa produtividade.
A Queda de Produção e o Foco nas Finalizações
Os números são contundentes e evidenciam a má fase vivida por Germán Cano. Seus 20 gols na temporada, ainda que o coloquem como artilheiro isolado do Fluminense, mascaram uma queda acentuada na sua capacidade de finalização. Em suas últimas treze partidas, o artilheiro argentino marcou apenas uma vez, um dado que preocupa o técnico Fernando Diniz e a torcida tricolor. Em quatro dos seis jogos sob o comando do novo treinador, Cano foi escalado como titular, mas sua contribuição em termos de gols tem sido mínima. Sua ausência em uma partida contra o Atlético-MG se deu por controle de carga, enquanto em outra ocasião, contra o Mirassol, ele permaneceu no banco. Nos cinco confrontos em que esteve em campo, suas estatísticas de finalização são preocupantes: foram apenas seis chutes a gol, sendo três deles direcionados ao Botafogo. Nos últimos quatro jogos, o número de finalizações cai para três, sem nenhum gol marcado, e uma crescente dificuldade em ser efetivo quando tenta participar das jogadas mais longe da área adversária. Essa característica, de jogar mais fora da área, nunca foi o ponto forte de Cano, que se consolidou como ídolo pela sua precisão dentro da área. Com a baixa produção geral da equipe e a queda em seu próprio aproveitamento de chutes, o atacante tem se visto exposto por aquilo que não consegue entregar em outros setores do jogo.
Estatísticas de Cano: O Destaque que Preocupa
A comparação com temporadas anteriores reforça a magnitude da atual fase de Cano. Sua média de finalizações certas, que antes era um diferencial, despencou para 0,9 por jogo, um número inferior até mesmo ao que ele apresentou em 2024, quando registrou 1,6 e 1,7 nos anos de 2023 e 2022, respectivamente. Essa queda na efetividade dos chutes é um sinal claro de que o atacante não tem conseguido encontrar o caminho do gol com a mesma facilidade. Além disso, em termos de passes, nos cinco jogos em que participou sob o comando de Zubeldía, Cano errou 21 dos 57 passes que tentou. Embora a função de um centroavante vá além da criação de jogadas, a dificuldade em acertar passes demonstra uma possível desconexão com o ritmo da equipe e a movimentação dos companheiros. O Fluminense, que sempre se caracterizou por um jogo ofensivo envolvente, tem sofrido com a falta de gols de seu principal atacante, o que naturalmente impacta o desempenho coletivo. A esperança é que o ídolo tricolor reencontre sua melhor forma, pois a recuperação de seu poder de fogo é fundamental para as pretensões do time no restante da temporada.
A Ascensão de John Kennedy e o Dilema de Zubeldía
Diante desse cenário, a ascensão de John Kennedy surge como um fator de peso na definição da titularidade no ataque do Fluminense. O jovem atacante tem aproveitado as oportunidades que lhe são dadas, demonstrando boa forma e contribuindo com gols e assistências. Em suas duas atuações como titular desde a chegada de Fernando Diniz, Kennedy já balançou as redes e deu um passe para gol, mostrando que pode ser uma alternativa viável e eficiente. Essa concorrência direta coloca Zubeldía em uma posição delicada, precisando decidir qual jogador melhor se encaixa na estratégia para os próximos jogos. O próximo compromisso do Fluminense será contra o Internacional, no sábado (27), às 17h30. Com três treinamentos à disposição para ajustar a equipe, o técnico argentino terá a oportunidade de analisar a performance dos atacantes e definir quem terá a responsabilidade de liderar o setor ofensivo. A expectativa é que a decisão de Zubeldía leve em consideração não apenas o momento individual dos jogadores, mas também a necessidade de encontrar um equilíbrio que potencialize o desempenho coletivo da equipe e, consequentemente, retorne à trajetória de vitórias.
O Futuro Imediato e a Busca pelo Reencontro com as Redes
Ainda que o momento seja de questionamento, é inegável o valor histórico de Germán Cano para o Fluminense. Sua liderança em gols na temporada e a relação de carinho construída com a torcida são ativos importantes. No entanto, o futebol é movido por resultados e pela performance em campo. A má fase atual, marcada pela queda drástica na produção de gols e na efetividade, não pode ser ignorada. A esperança é que o centroavante, com o apoio da comissão técnica e de seus companheiros, consiga reencontrar o faro de gol que o consagrou. A disputa pela vaga de titular com John Kennedy promete ser saudável e acirrada, beneficiando o Fluminense com opções de qualidade no ataque. O torcedor tricolor aguarda ansiosamente por um desfecho positivo, com a recuperação de seu artilheiro e a volta do time às vitórias, consolidando um bom final de ano para o clube. A próxima partida contra o Internacional será um teste crucial para as definições táticas de Zubeldía e para a busca por um novo fôlego na temporada.

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