O Sport Club Internacional celebrou uma vitória crucial por 3 a 1 contra o Bragantino no Beira-Rio, assegurando a permanência na Série A do Campeonato Brasileiro. A partida não apenas selou o objetivo do clube, mas também marcou um momento de profunda emoção para o técnico Abel Braga, que, aos 73 anos, foi ovacionado pela torcida e pelos jogadores, consolidando sua despedida da função de treinador à beira do campo. Em entrevista coletiva pós-jogo, Abel Braga, visivelmente tocado, comparou a importância deste feito à conquista do Mundial de 2006, destacando o drama e o impacto emocional vivido como elementos que, para ele, tornam este momento ainda mais significativo.
Abel Braga assumiu o comando do Internacional há apenas uma semana, com a difícil missão de resgatar a equipe de uma situação delicada e evitar o rebaixamento. Em suas duas primeiras partidas, comandou o time em confrontos decisivos, demonstrando a força que encontrou na dor e na expectativa do torcedor colorado. “Eu sei a dor que os colorados estavam sentindo. Isso me deu força para tentar tirar o time dessa situação”, revelou o treinador, evidenciando a conexão e o comprometimento com o clube e sua torcida.
O Último Ato à Beira do Campo: Um Ciclo que se Encerrra
A atmosfera no Beira-Rio após o apito final foi de pura celebração, com Abel Braga no centro das atenções, sendo erguido pelos jogadores e aplaudido calorosamente pela massa colorada. Em um discurso carregado de emoção, o experiente treinador confirmou que aquela partida representou seu último ato como comandante técnico à beira do gramado. “Vai ter conversa. Mas treinador? Acabou. Para mim, deu. Tomei dois calmantes para ir para o jogo”, declarou Abel, em um misto de alívio e decisão, arrancando risos e aplausos da imprensa presente.
Apesar de encerrar sua trajetória como treinador, Abel Braga sinalizou um forte desejo de permanecer ligado ao Internacional. Sem adentrar em detalhes, ele expressou a intenção de seguir contribuindo com o clube, mas em uma nova função. “Vamos conversar”, limitou-se a dizer, abrindo a porta para um possível encaixe em um papel institucional, algo que a diretoria do clube já vem considerando para aproveitar sua vasta experiência e conhecimento.
O Chamado, as Críticas e a Missão Aceita
O retorno de Abel Braga ao comando técnico do Internacional foi movido por um senso de dever e identificação. O treinador relatou que não hesitou em atender ao chamado do clube, mesmo ciente das críticas que parte da torcida poderia fazer e dos alertas recebidos até mesmo de sua própria família. “Até minha esposa disse que era coisa de maluco voltar. Mas nunca briguei com ninguém. Saí daqui em 2021 com dever cumprido. Vim confiante. Achei que poderia ajudar”, explicou, demonstrando a convicção em sua capacidade de reverter o cenário adverso.
Em sua fala, Abel também fez uma retrospectiva de 2016, quando recusou a proposta para assumir o Inter na reta final da temporada, um período que culminou com o rebaixamento do clube. Ele ressaltou que aquele momento já faz parte do passado e que a missão atual, embora dramática, foi cumprida com orgulho. “Aquele momento, já esquecemos. Era uma coisa que eu poderia ter feito lá atrás, mas fiz agora. Estou orgulhoso”, afirmou, selando de vez aquela página.
Reflexões, Lições e o Legado para o Futuro do Clube
Abel Braga fez questão de enfatizar que a campanha turbulenta do Internacional nesta temporada deve servir como um importante alerta para o futuro do clube. “Não pode chegar nessa situação. É um campeonato equilibrado. O futebol é perigoso. Não pode aceitar derrota com naturalidade, pois acaba pagando lá na frente”, ponderou o treinador, transmitindo uma mensagem de cautela e resiliência. Para ele, o legado principal que deixa é a certeza de que o Internacional não pode, de forma alguma, voltar a vivenciar um drama semelhante ao de ter que lutar contra o rebaixamento.
Em um momento de humildade, ao ser questionado sobre a possibilidade de uma homenagem, como uma estátua no Beira-Rio, Abel Braga preferiu não se pronunciar diretamente. Ele relembrou uma homenagem recebida em vida no Fluminense, mas deixou o futuro em aberto. “Não posso responder sobre estátua. Já fui homenageado com nome de campo no Fluminense. Em vida, é legal. Mas vamos ver o que vai se desenrolar”, declarou, visivelmente lisonjeado pela demonstração de carinho e reconhecimento por parte da torcida e da imprensa.
Alívio, Gratidão e um Futuro a Ser Definido
Em suas considerações finais na coletiva de imprensa, Abel Braga reiterou o imenso peso emocional da missão que foi cumprida com sucesso. “Esse momento foi mais importante que o Mundial”, repetiu, enfatizando a carga dramática e a alegria da torcida em ver o clube garantido na elite do futebol brasileiro. O treinador demonstrou um profundo alívio pela fuga do rebaixamento e pela resposta positiva dada ao torcedor que permaneceu confiante e apoiando a equipe até o último instante.
Com o futuro de sua carreira ainda em aberto, mas com a certeza de que não estará mais na beira do campo como treinador, Abel Braga deixa o Beira-Rio com mais um capítulo notável em sua extensa e vitoriosa trajetória. Este, talvez, seja o capítulo mais inesperado e emocional de todos, um testemunho de sua capacidade de liderança e amor pelo futebol, especialmente pelo Internacional.

Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







