A partida entre Corinthians e Palmeiras, disputada no último Dérbi, continua gerando discussões acaloradas. A polêmica em torno da ação de Andreas Pereira, do Palmeiras, na marca do pênalti, que culminou na defesa de Carlos Miguel e na subsequente cobrança desperdiçada por Memphis Depay, ganhou novos contornos e agora será analisada pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). O lance, que muitos consideraram uma tentativa de sabotagem, levanta questões sobre a conduta dos atletas em campo e as possíveis punições a serem aplicadas.
O Lance Polêmico e a Reação Imediata
Durante o clássico, em um momento crucial da partida, Andreas Pereira foi flagrado alterando a marcação do pênalti antes da cobrança de Memphis Depay. A ação do meio-campista palmeirense resultou em um escorregão do atacante corintiano, que acabou chutando a bola para fora. A jogada gerou indignação entre os torcedores do Corinthians e acusações de jogo sujo por parte da torcida alvinegra. A equipe de arbitragem, no entanto, não percebeu a interferência de Andreas Pereira no momento do lance, o que impediu a aplicação de qualquer punição imediata, como um cartão amarelo.
Análise Jurídica e Possíveis Punições
A situação será levada ao TJD, onde especialistas analisarão as imagens e os regulamentos para determinar se houve infração e qual a punição cabível. A expectativa é que o caso seja enquadrado no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de condutas desleais ou anti-esportivas. A penalidade prevista para essa infração varia de um a seis jogos de suspensão. No entanto, a aplicação de uma suspensão é considerada improvável, devido à falta de precedentes no futebol brasileiro e à jurisprudência internacional.
O Caso Ritz e a Multa na Alemanha
Um caso similar ocorreu na Alemanha, envolvendo o goleiro Ritz, do Augsburg, que danificou a marca do pênalti antes da cobrança de Modeste, do Colônia. Na ocasião, o goleiro alemão foi punido com uma multa de apenas 122 euros. Esse precedente reforça a possibilidade de que Andreas Pereira receba uma sanção financeira, em vez de uma suspensão. A tendência é que o TJD siga a linha de raciocínio adotada em outros países, priorizando a aplicação de multas em casos de interferência na marca do pênalti.
A Defesa de Leila Pereira e o Argumento da Má Sorte
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, defendeu veementemente Andreas Pereira, minimizando a importância da ação do jogador na marca do pênalti. Segundo Leila, Memphis Depay errou a cobrança por conta de sua própria falta de precisão, e não por causa da interferência de Andreas Pereira. A dirigente alviverde argumentou que o atacante corintiano escorregou em diversas áreas do campo, e que atribuir o erro apenas à ação do meio-campista palmeirense seria uma busca por culpados sem fundamento. A defesa de Leila Pereira busca desqualificar a acusação de sabotagem e proteger o jogador de uma possível punição.
O Papel do VAR e a Impossibilidade de Intervenção
Apesar da polêmica, o VAR (árbitro de vídeo) não pôde intervir no lance, pois sua atuação se restringe a erros claros e evidentes que possam levar à anulação de gols ou à marcação de pênaltis. Em caso de infrações que resultariam em cartão amarelo, o VAR não tem o poder de alertar o árbitro principal. Essa limitação do VAR contribuiu para que a ação de Andreas Pereira passasse despercebida pela equipe de arbitragem durante a partida. A discussão sobre a abrangência da atuação do VAR e a necessidade de aprimorar seus protocolos certamente ganhará força após esse incidente.
O caso Andreas Pereira reacende o debate sobre os limites da competitividade no futebol e a importância de preservar a ética e o fair play. A decisão do TJD será fundamental para estabelecer um precedente e orientar a conduta dos jogadores em situações semelhantes no futuro. Acompanharemos de perto o desenrolar desse caso, que promete gerar ainda mais polêmica e discussão no cenário futebolístico brasileiro.

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