O Santos F.C., um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, encontra-se em meio a mais um turbilhão de dificuldades financeiras e extra campo, que se intensificam à medida que a temporada se aproxima do fim. As recentes notícias de uma ação judicial movida pelo Novorizontino expõem a fragilidade econômica do clube e a luta constante da diretoria para reverter um cenário que já preocupa profundamente a sua apaixonada torcida. Paralelamente a essa crise financeira, o desempenho da equipe em campo também é motivo de apreensão, com o time lutando bravamente para escapar da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. A cobrança milionária que agora surge em forma de processo judicial ocorre em um momento crítico, quando o “Peixe” mais necessita de paz e estabilidade para fechar o ano sem a adição de novos e dolorosos problemas.
Novorizontino Cobra Atraso de Pagamento e Move Ação Judicial Contra o Santos
O Novorizontino, clube do interior paulista, tomou a medida extrema de levar o Santos à esfera judicial, buscando reaver aproximadamente R$ 8 milhões que, segundo a acusação, não foram devidamente pagos pelas negociações envolvendo os atletas Luisão e Lucas Barbosa. Ambos os jogadores foram transferidos em acordos que previam o repasse de parte dos valores obtidos ao clube do interior. No entanto, a diretoria do Novorizontino alega que uma parcela significativa desse montante nunca chegou aos cofres do Tigre, o que motivou a representação legal.
O zagueiro Luisão foi negociado por 1,6 milhão de euros. Já o atacante Lucas Barbosa encerrou sua passagem pelo clube santista por 2,5 milhões de euros, com o Novorizontino detendo 20% de seus direitos econômicos no momento da negociação, ocorrida ainda em 2020. O Santos teria acordado o pagamento de Luisão em parcelas a serem quitadas entre 2025 e 2026. Contudo, as duas parcelas previstas para serem pagas ainda neste ano estão em atraso, configurando o inadimplemento que desencadeou a atual disputa judicial. Essa situação agrava o quadro financeiro do Santos, que já vinha sendo alvo de discussões sobre sua saúde econômica.
Detalhes das Negociações e a Irritação do Novorizontino
Michel Alves, diretor de futebol do Novorizontino, não hesitou em confirmar a grave situação e expressou clara insatisfação com a postura do Santos. “Nós vendemos o Luisão por 1,6 milhão de euros. E não recebemos nada, nem um centavo…”, declarou Alves, demonstrando a frustração do clube do interior. Ele prosseguiu, detalhando a necessidade de buscar as vias legais para assegurar o ressarcimento. “Então, estamos discutindo isso na Justiça para buscar ressarcimento”, afirmou o dirigente, evidenciando a seriedade da questão e a determinação do Novorizontino em reaver os valores devidos.
A situação se torna ainda mais delicada quando analisamos o histórico dos atletas envolvidos. Luisão, que se destacou em suas passagens pelo Novorizontino, teve 70% de seus direitos econômicos adquiridos pelo Santos no início de 2025. No entanto, sua passagem pela Vila Belmiro foi bastante modesta. Apesar de possuir contrato com o Peixe até 2028, o zagueiro participou de apenas nove partidas e perdeu espaço na equipe principal após a chegada de novos reforços e mudanças táticas, incluindo a entrada de Juan Pablo Vojvoda, que alterou a dinâmica do sistema defensivo santista. A curta participação em campo, somada à falta de pagamento, gera ainda mais questionamentos.
O Caso Lucas Barbosa e o Impacto Financeiro
No caso de Lucas Barbosa, a situação é semelhante em termos de inadimplemento, mas com uma trajetória diferente. O atacante não faz mais parte do elenco santista. Ele foi negociado com o Red Bull Bragantino, após ter apresentado bom desempenho enquanto esteve emprestado ao Juventude. Como mencionado anteriormente, 20% dos direitos econômicos de Lucas Barbosa pertenciam ao Novorizontino. Portanto, o clube do interior teria direito a aproximadamente 500 mil euros provenientes dessa transferência. Contudo, o Santos não teria efetuado o repasse desse valor, configurando mais um ponto de atrito e uma nova demanda judicial.
Essas cobranças, que somam um montante considerável, evidenciam a complexidade da gestão financeira do Santos em um momento crucial da temporada. A esperança da torcida é que o clube consiga resolver essas pendências o mais rápido possível, permitindo que o foco volte integralmente para as batalhas em campo. A crise financeira, agora formalizada em uma ação judicial, serve como um alerta para a necessidade de uma gestão mais transparente e eficiente, capaz de evitar que os bastidores continuem a ofuscar o brilho da camisa santista em momentos tão decisivos.

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