Uma investigação policial em andamento revelou um esquema de venda ilegal de camarotes no Estádio do Morumbi, envolvendo diretores do São Paulo Futebol Clube. O caso, que ganhou destaque após a divulgação de um áudio comprometedor, aponta para a exploração clandestina de espaços do estádio em diversos eventos, incluindo shows, com prejuízos significativos para o clube. A polícia já possui evidências que indicam que a prática ocorre desde pelo menos 2023, e as investigações continuam para identificar todos os envolvidos e a extensão dos danos.
Investigação Aprofundada Revela Esquema de Venda Ilegal de Camarotes
A força-tarefa policial responsável pela investigação está concentrando seus esforços em determinar a duração e o alcance do esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbi. As primeiras apurações indicam que a comercialização clandestina de espaços do estádio não se limitou ao show da cantora Shakira, ocorrido em fevereiro de 2025, mas se estendeu a outros eventos realizados no local desde 2023. O objetivo principal da investigação é comprovar a conduta de exploração ilegal de forma reiterada e lesiva ao clube, que teria sido mantido à margem de qualquer reconhecimento formal.
Delitos Investigados e Possíveis Consequências
Entre os delitos sob investigação estão a corrupção privada do esporte e a associação criminosa, configurando um esquema de exploração prolongada dos camarotes do Morumbi. A polícia busca identificar a participação de diretores do clube durante a gestão do ex-presidente Julio Casares, que esteve no comando entre 2021 e janeiro de 2026. A investigação considera o São Paulo como uma possível vítima, e os responsáveis pelo esquema podem enfrentar graves consequências legais, incluindo processos criminais e indenizações ao clube.
O Áudio Incriminador e os Primeiros Suspeitos
Um áudio obtido pela reportagem revelou a participação de Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e de Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente Julio Casares, em um suposto esquema que teria causado prejuízo ao clube. A conversa cita a utilização de um camarote no setor leste do estádio, identificado como “sala presidencial”, que teria sido repassado a Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária no esquema. Rita seria a responsável pela exploração do camarote, vendendo ingressos por valores elevados, como os R$ 2,1 mil cobrados na apresentação de Shakira.
Oitivas e Coleta de Provas
A investigação está em fase de oitivas dos acusados e possíveis testemunhas. Rita de Cássia Adriana Prado já foi ouvida na delegacia, mas optou por permanecer em silêncio, alegando problemas de saúde. Mara Casares e Douglas Schwartzmann serão os próximos a serem ouvidos pelas autoridades. Apesar do silêncio dos envolvidos, a investigação não depende exclusivamente das informações obtidas nas oitivas, seguindo com a análise de provas documentais e dados de inteligência. Buscas e apreensões já foram realizadas nas casas dos acusados, e o caso está sob a responsabilidade do Departamento de Polícia de Proteção a Cidadania (DPPC) e da terceira delegacia, em ação conjunta com o Ministério Público.
Outras Apurações e o Caso do Clube Social
Além do caso do camarote, a polícia investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção no clube social do São Paulo. Essas apurações ainda não resultaram em intimações, mas representam uma extensão da investigação sobre possíveis irregularidades cometidas por diretores do clube. A força-tarefa busca identificar se houve desvio de recursos e outras práticas ilícitas que possam ter prejudicado o São Paulo. O delegado Tiago Fernando Correia é o encarregado do caso e coordena as investigações em conjunto com o Ministério Público.
O faturamento estimado com a exploração do camarote 3A, apenas no show da Shakira, foi de R$ 132 mil, demonstrando o potencial de prejuízo causado ao clube. A investigação continua em andamento, com o objetivo de esclarecer todos os detalhes do esquema e responsabilizar os envolvidos. A torcida do São Paulo aguarda ansiosamente por um desfecho que possa trazer justiça e recuperar os recursos desviados, garantindo a transparência e a lisura na gestão do clube.

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